Sabe-se que o programa SuperNanny é um reality show, originalmente do Reino Unido, em que há uma espécie de consultoria à famílias que possuem problemas com crianças indisciplinadas. Há tempos, diversos países têm suas próprias versões, no entanto, somente em 2018 #portugal deu início a produzir seu próprio SuperNanny. Mas a estreia do programa, que ocorreu no dia 14 de janeiro, ainda está causando polêmica e revolta entre os portugueses [VIDEO], pois uma criança de sete anos recebeu a alcunha de o “Furacão Margarida”, uma menina ditadora e agressiva quando contrariada. Suas imagens foram apresentadas sem desfoque.

A Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ) divulgou comunicado afirmando que SuperNanny cometeu violação de vários direitos das crianças.

Segundo a instituição: “...consideramos existir elevado risco de violação..., como o direito à sua imagem, à reserva da sua vida privada e à sua intimidade... podendo produzir efeitos nefastos na sua personalidade, imediatos ou a prazo”. A CNPDPCJ disse ainda ter recebido diversas queixas antes mesmo da estreia, pois as imagens promocionais já causavam revolta junto à audiência da emissora.

O SuperNanny português é apresentado pela psicóloga clínica, Teresa Paula Marques, que numa entrevista antes da estreia disse que esperava que o mesmo gerasse polêmica: “Haverá pessoas que gostam e outras que não... os mais permissivos vão discordar". Após a repercussão do primeiro episódio, a apresentadora esclarece que sua participação não é como psicóloga e entende que problemas de violação dos direitos das crianças é um problema da emissora, não seu.

A emissora, SIC, se defende justificando que o programa aborda simplesmente "situações reais, de modo responsável, não exibicionista e sem explorar situações de particular fragilidade".

O caso será analisado em conjunto entre a Comissão dos Direitos das Crianças, a Entidade Reguladora da Comunicação Social e a Ordem dos Psicólogos.

Em 2005, o pesquisador estadunidense, Alfie Kohn, autor de Punidos Pela Recompensa, publicou em seu blog um artigo em que analisa a proposta do SuperNanny: “Para começar, a escolha de crianças incrivelmente ‘mal comportadas’ dá-nos um certo sentimento de sucesso: ‘Pelo menos meus filhos e minha capacidade enquanto pai ou mãe, não são tão ruins!’ ...essas famílias problemáticas nos fazem torcer por soluções totalitárias, qualquer coisa que acabe com o tumulto”; Kohn também critica o perfil das apresentadoras, onde se chega, se observa, se faz uma análise técnica, se diz o óbvio e, com uma abordagem simplista, se dá o diagnóstico para, finalmente, prescrever determinada rotina com regras e punições; para o pesquisador, a superficialidade deste tipo de programa não é acidental, é ideológica, onde o fundamental não é educar um filho, mas sim condicionar comportamentos, o programa traz como solução uma proposta behaviorista para pais que não dispõem de tempo para teorias que julgam complicadas e optam por técnicas de subornos e ameaças sem questionarem o impacto destas escolhas no futuro das crianças.

Para o escritor, esse modelo de programa só é útil para termos uma lição de como não devemos criar nossos filhos, ele sugere que carinho e razão continuam sendo mais efetivos e tem resultados a longo prazo na construção de filhos equilibrados, responsáveis e amorosos. #psicologia