A cada ano, os olhares do mundo se focam numa pequena cidade situada nos Alpes suíços chamada Davos. Nessa pequena cidade isolada pelas altas montanhas e um inverno rigoroso, os principais líderes da política e economia do nosso planeta se reúnem para discutir sobre a situação atual do nosso mundo e as perspectivas para o futuro. Tais discussões podem afetar a Economia Brasileira, bem como definir o rumo das principais instituições financeiras do mundo, como o Banco Mundial, FMI, Clube de Paris, entre outros.

Vamos então analisar algumas dessas declarações.

  • Políticos como Theresa May, Emmanuel Macron, Angela Merkel e Justin Trudeau, em seus discursos, declararam seus países “abertos para negócios”.
  • O Presidente americano Donald Trump, no último dia do encontro, explicou que seu programa “America First” (Estados Unidos em Primeiro Lugar), não quer dizer Estados Unidos sozinho.
  • Jack Ma, presidente da gigante atacadista chinesa Alibaba, declarou que é fácil começar uma guerra comercial, mas difícil parar os desastres dessa guerra, e que os jovens e as pequenas empresas serão “mortos”, igual ao que acontece quando se lança uma bomba em um centro residencial. E que, “se o comércio para, a guerra começa”.

Declarar que um país está aberto aos negócios chega a ser um cliché.

Qual líder mundial hoje faria uma declaração diferente? O que tal declaração não mostra é: A ética fundamenta esses tipos de negócios? Esses países estão abertos a fazer negócios com países que não respeitam os direitos humanos, ou os interesses econômicos falam mais alto? Essas nações estão dispostas a negociar num ambiente em que ambos os lados se beneficiam, ou querem negociar num ambiente de competição predatória?

O Presidente Trump em seu programa “America First” alega que não quer fechar os Estados Unidos para o Mundo, mas denuncia que “... comportamentos predatórios estão distorcendo os mercados globais e prejudicando as empresas e os trabalhadores”. O que essas declarações não deixam claro é: O que o Presidente Trump considera um comportamento predatório? Será que ele entende que uma empresa estrangeira ser mais competitiva que uma similar americana não significa que a empresa estrangeira esteja tendo um comportamento predatório?

E quanto ao mega empresário chinês, podemos concordar com suas alegações de que uma guerra comercial é prejudicial para todos.

Aliás, o mesmo acontece em qualquer guerra. Mas o que não fica claro nas declarações do empresário é: Qual a posição da China frente as constantes denúncias de violação dos direitos humanos? E as denúncias de trabalho escravo? E as explorações de trabalho escravo em presídios e campos de trabalho forçado?

Ou seja: Vimos muitas frases de efeito, mas são frases que não deixam clara a real intenção dos líderes mundiais em fazer do Mundo um lugar melhor.

Vimos lindas “declarações de amor”, mas nenhum “pedido de casamento”.

Cabe à população mundial cobrar de seus governantes, líderes empresariais e entidades representativas, um compromisso mais sério no sentido de tornar o comércio mundial uma atividade mais justa, que premie as nações que melhor preservam o meio ambiente, que combatam as diversas formas de exploração humana, e que promovam uma luta contra a excessiva concentração de renda que ocorre atualmente, além de criar e fortalecer programas que realmente promovam o progresso de nações em desenvolvimento, para que possamos realmente sonhar com um mundo melhor.

Não é tarefa fácil, já que para isso, cada nação do mundo precisa ceder um pouco.

O mundo espera que as declarações do Fórum Econômico Mundial tornem-se realidade.