Em dezembro de 2017, o meio evangélico foi surpreendido com as mortes de três pastores [VIDEO], que cometeram suicídio. Dois deles, Ricardo Moisés, de Cornélio Procópio (PR), que cometeu suicídio dia 10, e Júlio Cesar Silva, de Araruama (RJ), no dia 12, eram pastores da igreja Assembléia de Deus. Já a pastora Lucimari Alves Barro, de Criciúma (SC), que suicidou-se no dia 27, era líder da Igreja do Evangelho Quadrangular.

O que mais chocou, segundo a professora e psicóloga clínica Mônica Raouf El Bayeh, em sua coluna no jornal "Extra", nao foi apenas o fato de serem pastores evangélicos, mas também porque tudo aconteceu no mesmo mês.

A profissional, que é especializada em atendimento a crianças, adolescentes, adultos e também trabalha com casais e famílias, disse que a #depressão atinge qualquer pessoa, independente de sua religião, cor, raça ou nível social e precisa ser tratada com seriedade, porque apesar de ser taxada como um capricho, ela é uma doença séria que pode levar qualquer pessoa a cometer atos extremos, como o suicídio, por exemplo.

O perigo do silêncio na depressão

Ela disse ainda em seu texto, que de todas as vezes em que escreveu sobre suicídio, recebeu comentários de pessoas que não conseguem entender a gravidade da situação, como um internauta que chegou a afirmar que é "falta de Deus no coração" ou "coisa de uma pessoa que não tem religião". Os casos dos três pastores que cometeram suicídio [VIDEO] provam que a depressão é, sim, coisa de quem tem e quem não tem religião ou até mesmo de quem "tem Deus no coração".

Ela afirmou ainda que esses líderes religiosos tinham uma vida espiritual séria e preocupavam-se com os fiéis de suas respectivas igrejas, mas sofriam calados, sem buscar ajuda. Ajudaram a muitos, mas esqueceram de si mesmos e foram vencidos pela depressão.

Para a depressão, todas as pessoas são iguais

Para a psicóloga, é preciso respeitar a dor dessas pessoas e ajudá-las a superar essa fase dolorida de suas vidas. A depressão, segundo ela, não faz acepção de pessoas, religião ou qualquer outro rótulo que possa existir. Ela quer todos e, muitas vezes, surge de maneira sutil. Ela afirma eu seu artigo que todas as pessoas são iguais, ou seja, são feitas de carne, ossos, traumas e dores.

Para a profissional, muitos deixam de buscar ajuda porque a doença é tratada como um capricho, e pelo fato de existir uma cobrança de perfeição por parte da sociedade que obriga as pessoas a mostrarem sucesso e força o tempo todo. "Ninguém escolhe adoecer. Apenas acontece", disse Mônica Raouf El Bayeh em sua coluna, na qual o título questiona se os pastores que cometeram suicídio não tinham Deus no coração. #evangelicos #SaudeFeminina