“Quanto a vós, não permitais que vos chamem de Rabi, pois um só é o vosso Mestre e todos vós sois irmãos” (Mt 23,8). Com essa passagem bíblica começa hoje a Campanha da Fraternidade de 2018 [VIDEO] da Igreja Católica no Brasil. É uma campanha que extrapola o lado religioso, e foca, sobretudo, na violência, um problema secular.

A campanha tem como tema: “Fraternidade e superação da violência”, e como lema: “Em Cristo somos todos irmãos”. O objetivo da campanha é conscientizar as pessoas de que a violência é uma forma de exclusão social. Que toda violência, seja ela física ou psicológica, em casa ou na rua, mata e exclui.

No Brasil, a violência física contra a mulher é a que mais tem crescido nos últimos anos. E o pior de tudo isso é que as mulheres que mais sofrem com a violência é a #Mulher pobre, analfabeta e negra. Pesquisas apontam que, entre os relatos de violência, 85,85% corresponderam a situações em ambiente doméstico e familiar.

Outro dado intrigante é que na maioria dos relatos (67,36%), as violências foram cometidas por homens com os quais as vítimas tinham ou já tiveram algum vínculo afetivo, como cônjuges, namorados, ex-cônjuges ou ex-namorados. Em cerca de 27% dos casos, o agressor era um familiar, amigo, vizinho ou conhecido.

Ironicamente, a violência doméstica não é um tema que ocupa espaço em discussões públicas. Erroneamente, muitos preferem tratar do assunto como sendo de fórum íntimo.

Coisas que ocorrem no interior das famílias e que ninguém tem o direito de intervir. Por que será? Pensa-se que é chegado o momento de descontruir o ditado popular: “Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”.

Para a Conferência Nacional do Bispos do Brasil (CNBB), violência é toda e qualquer ação contra a vida ou a sociedade, que possa causá-las prejuízo ou destruí-las por completo. Diz ainda: a Escritura conhece duas formas de violência: uma injusta (fruto da injustiça dos homens) e outra “justa” utilizada por uma causa justa ou por fim nobre como é o caso da legítima defesa.

Apesar de a violência doméstica ser a mais cometida no Brasil, não se pode negligenciar as outras formas de violência. A injustiça social, por exemplo, pode ser a causa de muitas outras formas de violência. Apesar de que a violência só cresce entre as pessoas, não se pode perder a esperança de uma vida mais segura e confortável para todos.

Se a humanidade está vivendo uma nova forma de organização da experiência humana, que é dinâmica, muito mais instantânea, global, acessível, envolvente, por que não colocar em prática o lema da #Campanha da Fraternidade desse ano: “Em Cristo somos todos irmãos”? #Religião