A #Filosofia nunca esteve tão em alta. Aumentou muito o interesse do grande público pela filosofia [VIDEO], mas não pela filosofia tradicional, aquela filosofia ensinada nas universidades. A filosofia que vem despertando interesse, principalmente dos adolescentes e jovens, é aquela que consegue responder questões cruciais da vida contemporânea: Quem sou eu? De onde veio o mundo? Por que os bons morrem? Por que estou tão triste? O que devo fazer para viver melhor? Por que o mal existe? É possível ser feliz?

No Brasil, uma geração de #Filósofos está levando a filosofia a outros patamares. Filósofos como Mario Sérgio Cortella e Luiz Filipe Pondé, apenas para ficar em dois nomes, estão aproximando a filosofia do grande público.

Estes filósofos tratam de assuntos sérios de forma leve. O que eles falam repercute imediatamente nas redes sociais, justificando os milhões de seguidores que possuem. Por esses e outros motivos, os jovens estão aprendendo a gostar de filosofia. Ou seja, a filosofia deixou de ser uma disciplina chata para se tornar a queridinha dos estudantes.

A questão aqui é como ser popular sem perder o rigor científico? Ao falar disso, lembro sempre do grande filósofo francês Michel Foucoult em seu livro As palavras e as coisas. Diz ele: “Toda #Ciência possui um corpo técnico, isto e, uma linguagem própria”. O que seria, então, a filosofia? Qual é o campo específico da filosofia? Como traduzir essa linguagem filosófica para os jovens, estudantes, telespectadores?

No livro Em busca de nós mesmos, o filósofo Clóvis Barros Filho, tão famoso quanto os filósofos citados acima, com dezenas de livros publicados no campo da filosofia e com milhões de seguidores nas redes sociais, afirma que o problema da filosofia é mesmo de linguagem.

Logo no prefácio de sua obra ele afirma: “Aqueles que desejam compreender as ideias dos grandes pensadores ou recentes pesquisas científicas encontram um difícil obstáculo: a linguagem dos textos é complicada e muito pouco convidativa”.

Dessa forma, o mérito desses filósofos, desses comunicadores, desses professores, que estão aproximando a filosofia do grande público, é reconhecer que no mercado de consumidores, - e a escola, a universidade são mercados de consumo -, a linguagem é mais importante do que o produto. O produto até pode ser de uma excelente qualidade, mas se o vendedor não conseguir comunicar essas qualidades ao consumidor ele não venderá o seu produto. Portanto, esse me parece ser o segredo desses filósofos; de terem tantos seguidores; de tanta gente ter passado a gostar de filosofia; sejam por meio de suas palestras, seus vídeos, seus livros. Vale ressaltar que a produção de livros de filosofia pelo mundo afora, especialmente aqui no Brasil, também aumentou muito. Dentre os vários títulos mais vendidos no país, nos últimos anos, estão os livros de filosofia.

Para ter uma ideia do crescimento desse mercado, basta conferir a lista dos livros mais vendidos no ano de 2017. Nela você vai encontrar pelos menos três livros de filosofia que ficaram semanas no topo da lista. É muito interesse pela filosofia.

De forma prática pode-se dizer que Filosofia é uma investigação ou estudo da dimensão essencial e ontológica do mundo real, ultrapassando a opinião irrefletida do senso comum que se mantém cativa da realidade empírica e das aparências sensíveis. Dito de outra forma. A filosofia, como qualquer outra ciência, possui uma linguagem própria, e conhecer esse mundo linguístico é conhecer a própria filosofia.

Além disso, é plenamente possível ser popular sem ser raso. A profundidade da filosofia consiste no autoconhecimento. Afinal de contas, foi o pai da filosofia que disse: “Conhece-te a te mesmo” (Sócrates). Nessa perspectiva, só conhecendo a si mesmo o ser humano pode conhecer o outro e, fatalmente, conhecer a Deus. Não é possível conhecer o outro sem se conhecer primeiro.

Então, para você conhecer melhor a filosofia e automaticamente se conhecer, sugere-se que você conheça alguns conceitos basilares da tradição filosófica. Pesquise os termos: Natureza, Poder, Alienação, Essência, Utopia, Verdade. Depois, veja o que significa cada uma dessas palavras e compare-as com o que pensa o senso comum, o povão. Você vai encontrar uma disparidade muito grande entre o que significa a palavra em si e o sentido que o senso comum dá a ela. No entanto, cabe aqui uma palavra final sobre esse assunto, o importante para a filosofia, não é o significado e sim o sentido. Por isso, não basta saber o que é a vida. Isto todo mundo sabe. O importante é saber qual é o sentido que se dar à vida. Isso sim é o mais importante. Viva a vida! Viva a filosofia!