Quando os princípios democráticos deixam de ser observados em uma sociedade qualquer, logo surge o preconceito, ideias irracionais em relação às diferenças do próximo, levando até mesmo às consequências mais trágicas frente à impossibilidade de se conviver ou ao menos respeitar os valores inerentes a cada indivíduo.

As autoridades cariocas dizem neste momento investigar, por exemplo, o infeliz acontecimento da vereadora pelo PSOL, Marielle Franco, assassinada de modo covarde na última semana.

O acontecimento acabou comovendo e provocando comentários por parte de muitos milhões de brasileiros e outras pessoas ao redor do mundo sobre o que de fato está acontecendo no Brasil ao longo dos últimos anos.

Fato é que Marielle se tornou uma ativa representante das causas relacionadas a muitas minorias, e justamente por isso, sofreu na própria pele as dores profundas do preconceito que cada uma delas sempre foi alvo desde que o mundo é mundo.

A vereadora pela Cidade do Rio de Janeiro era oriunda da favela, era negra e era lésbica. Marielle concentrou sobre si conscientemente todas as “variações” de opções, que muitos que se consideram socialmente “normais” ou “corretos”, repudiam com veemência.

Vale frisar que durante os seus últimos anos de vida, Marielle viveu uma relação homoafetiva com a arquiteta Monica Tereza Benício, a quem ela mesma frisou como a sua companheira na vida e também no amor, passando a ser a primeira mulher que Marielle beijou.

Tanto é assim que em agosto do ano passado, a vereadora Marielle no transcurso da plenária responsável por votar um projeto de lei de autoria dela própria em função do “Dia da Visibilidade Lésbica no Rio de Janeiro”, a mesma fez um discurso para lá de enfático acerca do comprometimento da Câmara na defesa dos direitos LGBT.

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LGBT

Acontece que o projeto teve como resultado a reprovação por dois votos de diferença, mas deve ser destacado que uma assessora técnica da Câmara que preferiu ficar no anonimato, frisou que até então, nenhum projeto que celebrava a vida LGBT tinha chegado tão longe quanto a proposta de Marielle.

Durante o último discurso público de Marielle, assassinada sabe Deus pelas mãos ou mando de quem, ela complementou o seu pronunciamento citando a escritora do Caribe Audre Lorde, que também é feminista, negra e lésbica, dizendo que ela jamais seria livre enquanto uma outra representante do sexo feminina fosse prisioneira, mesmo que fosse presa em formas diferentes de corrente ou prisão. Sendo assim, todas as mulheres iriam lutar juntas contra as formas diferentes de opressão.

Quem é Monica, viúva de Marielle?

Como que em uma reclusão, que não se sabe ao certo se é forçada ou opcional, Monica, a ex-companheira de Marielle, não deseja obviamente dar entrevistas.

Por outro lado, nos perfis existentes de Marielle em suas redes sociais, repousam as memórias de um relacionamento calcado na felicidade, com fotos sorridentes e apaixonadas de ambas as mulheres, idas às passeatas LGBT, passeios das duas, participações em shows, e há também uma foto das duas companheiras com a filha de Marielle.

O interessante é que a vereadora fazia questão de finalizar as suas postagens quase sempre como a hashtag #NossasFamíliasExistem, referindo-se ao Estatuto da Família, o qual sublinha a família como sendo a união entre homem e mulher.

No que diz respeito à parceira, Mônica, essa sinalizava de forma positiva com frases como “entre tantas vidas, que sorte a nossa”; tanto é assim, no último registro postado em 1º de março, ambas se mostravam sorridentes tendo o Complexo da Maré como pano de fundo, em alusão ao aniversário da Cidade do Rio de Janeiro.

Acontece que na noite do dia 14 de março (quarta-feira), Marielle deixou a Mônica viúva. Viúva de um nobre sentimento, bem como enviuvaram também os familiares, amigos, admiradores e até mesmo os próprios algozes da mulher negra, da favela, e lésbica, isso porque tais pessoas nunca souberam ou saberão o que é democracia e respeito ao próximo.

Tais criminosos também estão mortos e de um tipo pior de morte, que é o morto-vivo, excluído de valores, caráter e amor.

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