Acompanho minha filha nas aulas de natação. Enquanto ela bate as perninhas na água, eu pego o celular no bolso e dou uma verificada no facebook. Sigo a máxima do “Um olho no peixe outro no gato” – Ou no meu caso um olho na filha outro na tela.

Ultimamente esta distração corriqueira tomou certo ar de culpa em vista das noticias de vazamento de informação de usuários. Estaria eu inocentemente entregando minhas opiniões a espertinhos para que venham a ser usadas contra mim no futuro?

Vejamos... Então o fato de compartilhar vídeos fofinhos de animais poderá vir a me definir politicamente como coxinha, mortadela ou salaminho? Simples assim? Não. A questão principal é a utilização de seus dados para levar você a eleger um candidato ou a comprar uma determinada marca de shampoo.

Assistindo a um debate televisivo sobre o assunto me identifiquei com um espectador que comentou via Whatsapp: “Minha vida digital é um tédio”.

Se a dele é um saco, imagine a minha... Então você que está lendo este artigo pensa: “A minha também!” Mas esta não é a questão. O ponto é que quando compartilha vídeos, compra porcaria ou curte postagens você entrega a si mesmo de bandeja para empresas de marketing.

Experimente fazer uma busca no Google: Viajar para Buraquinho na Bahia. Da próxima vez que abrir seus aplicativos, verá sua tela inundada por ofertas de passagens aéreas, hotéis e principais restaurantes de Buraquinho.

A pergunta é? Você autorizou o Facebook, o Google, ou seja, lá quem for a vendê-lo (leia-se seus dados) para possíveis interessados? E o ponto focal disso tudo. Eles vão direcionar suas propagandas para se encaixar naquilo que você anseia.

Desejando mais segurança? Vai ganhar postagens sobre aquele candidato especialista no assunto. Procurando shampoo para queda de cabelo? Olha ai um vídeo sobre aquele produto revolucionário a base de...

Bom, sei lá!

E quem ganha você? O candidato mais competente? O produto mais tecnológico? Não. Quem pagar mais para descobrir exatamente o que você quer. Então, se estamos carentes, amedrontados ou ficando carecas eles vão providenciar aquela propaganda disfarçada de vídeo engraçado (são mais compartilhados) e nos fazer acreditar que é tudo aquilo que estamos precisando naquele momento.

O que fazer então?

Eu de minha parte não pretendo atitudes radicais, e vou continuar com o velho hábito de me distrair com o Facebook nas aulas de natação da minha filha. Mesmo por que sou usuária há tantos anos que eles já sabem praticamente tudo sobre mim. Não adianta colocar tranca na porta depois que a casa foi arrombada.

Talvez a grande mudança seja que deixei de ser inocente. Não acredito mais que rede social é só uma distração.

Agora tenho consciência que minhas opiniões, hábitos e desejos fazem parte de um grande pacote de dados que podem ser vendidos a qualquer momento para empresas interessadas.

Posso continuar me distraindo com cachorros fofinhos e receitas, mas, com um olhar critico e questionador. Considerar com mais cuidado aquilo que compartilho. O ato de compartilhar levianamente noticia nos faz cúmplices destas organizações.

Acho que este é a nova onda: questionar e desconfiar de todo tipo de informação que chegar até você de bandeja. Saudades do tempo em que o Facebook era apenas distração.

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