Exatos cinco anos atrás, na manhã do dia 6 de março de 2013, despertamos mais tristes, com a certeza de que, para muitos, sim, ali acabava nossa juventude. Alexandre Magno Abrão, o Chorão, de 42 anos, havia sido encontrado morto no fim da madrugada, no apartamento onde morava, em São Paulo.

Chorão partiu sozinho, vítima de uma doença ainda muito estigmatizada, o vício. Deixou um filho, a mãe e a mulher para quem escreveu várias de suas canções, algumas das quais cantamos aos berros diante da agonia eterna de qualquer adolescente.

Um CD do Charlie Brown fora o último presente que alguém ganhou do pai.

Difícil explicar o sentimento que tentamos descrever ao falar de Chorão e sua banda, o Charlie Brown Jr. Para quem viveu o final dos anos 1990 e início dos anos 2000, eles eram gigantes. Eles estavam nas rádios, nos festivais, na televisão, realidade musical muito distante da qual vivemos hoje.

Chorão é a Saudade de um tempo que não volta mais, das tardes livres cantando Como Tudo Deve Ser, de ficar largada em um banco na escola com as amigas.

Charlie Brown, para mim, é tarde de sol, a música companheira nas horas dolorosas. Não bastasse a morte prematura do vocalista, seis meses depois foi a vez de Champignon, baixista da banda, tirar a própria vida.

Naquela manhã de março, sentimos que oficialmente já não éramos mais jovem. Já não escutávamos as músicas da banda com a frequência do passado, a grande expectativa já não era assistir a um show de banda, mas não deixamos de sentir como se um pedaço tivesse sido arrancado.

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Famosos

Ainda hoje, nos questionamos se aprendemos alguma coisa com ele. Chorão foi em busca de seus objetivos cedo. Lutou e conquistou seu lugar ao sol. Tinha orgulho da sua trajetória, do quão longe havia chegado. Nos questionamos se são esses os dias de luta, dias de glória, como ele afirmou em uma canção. Como ele, queremos ter orgulho da nossa trajetória. Sem entrar na discussão de sua doença, não sabemos com qual escuridão ele lidava e se lidava.

Todos nós temos demônios contra os quais lutar.

A morte, em sua concepção, ainda nos é estranha. É a única certeza que temos, mas, o fato de que alguém pode desaparecer de seu mundo subitamente a torna incompreensível. E Chorão desapareceu de vários mundos particulares e sem aviso prévio.

Sempre voltaremos para nosso eu adolescente no dia 6 de março. Sempre vamos tentar imaginar a dor que sentiríamos se isso acontecesse naquele tempo.

Naquele tempo, sabemos, ele era invencível.

Todos nós temos aquela banda, aquele cheiro que transporta para um estado louco de nostalgia. O álbum 100% Charlie Brown, de 2001, faz lembrar dos anos do ensino médio. Ao ouvir a voz dele cantando Como Tudo Deve Ser, sentíamos que alguém nos entendia e falava pela gente.

Com Lugar ao Sol, sentíamos sozinhos a falta que um pai fazia, porque Chorão havia passando pela mesma dor que a gente.

E pular com Hoje eu Acordei Feliz. Era querer ser skatista. Era ir aprendendo a malandragem da vida. E ser uma pessoa boa e honesta, porque, apesar da rebeldia, apesar dos protestos, era isso que o Chorão pregava. Pelo menos para a sua legião.

Então, um viva para o Chorão, que mesmo que não esteja mais presente, com a sua ausência ainda nos deixa ter 18 anos de idade e sonhos impossíveis. Que ainda nos deixa ficar rindo à toa, de alguma piada boba falada pela amiga de cabelo vermelho ao lado. Que ainda nos deixa estar em uma noite, de céu estrelado, gritando que é T.F.D.P., junto com a multidão. Viva sempre em nós, Chorão!

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