"Uma Mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade". De alguma forma, essa famosa citação, assim como outras inúmeras espalhadas por aí, foram erroneamente atribuídas a Mark Twain, Winston Churchill, Benjamin Franklin e muitos outros, embora a frase pertença a Joseph Goebbels. É difícil saber quem é o dono verdadeiro de uma citação qualquer na internet, já que qualquer um pode atribuir a quem quiser, e assim também tem funcionado com as notícias.

A Internet certamente acelerou a velocidade em que as histórias podem viajar pelo mundo. Seja essas histórias mentiras, verdades ou um pouco dos dois, o tempo de viagem é muito mais rápido nos dias de hoje, mas será se a verdade supera a mentira ou vice-versa?

O professor Sinan Aral, o Dr. Soroush Vosoughi e o Dr. Deb Roy, todos do MIT, analisaram 126 mil histórias espalhadas no Twitter entre 2006 e 2017, com mais de 4,5 milhões de tweets de cerca de 3 milhões de pessoas.

O trio usou avaliações de seis organizações independentes de verificação para classificar a veracidade ou não dessas histórias.

"Notícias que eram falsas difundiu significativamente mais rápido e mais amplamente do que a verdade em todas as categorias de informações, e os efeitos foram ainda mais evidentes em falsas notícias relacionadas à política do que sobre terrorismo, desastres naturais, ciência, lendas urbanas ou informações financeiras", Afirmam os autores do estudo na revista Science.

"Considerando que a verdade raramente difundiu para mais de 1.000 pessoas, os 1% das cascatas de fake news diariamente difundidas para um público de 1.000 a 100.000 pessoas".

O fato curioso é que, apesar de que as pessoas que espalharam rumores falsos tinham significativamente menos seguidores do que aqueles que falavam a verdade, as notícias falsas ganham mais notoriedade. Isso demonstra a potência que fake news tem na internet.

Presumivelmente, o problema não é porque as pessoas realmente preferem mentiras ou porque estão conscientes do que estão promovendo. Não tem como esperar que a existência de verificadores digitais aplique freios sob as falsas narrativas. Nem podemos culpar os bots. Já que os robôs, incluindo aqueles controlados pelo governo russo, aceleraram a propagação de histórias falsas, os pesquisadores encontraram histórias verdadeiras com um impulso equivalente, impulsionado por robôs, sugerindo que o problema reside principalmente nos compartilhamentos humanos.

Conseqüentemente, os autores buscaram diferenças nas respostas das pessoas a histórias típicas verdadeiras e falsas para explicar suas observações. Ao olhar para as reações a essas histórias, eles descobriram que as notícias falsas inspiraram maior surpresa e desgosto, enquanto as verdadeiras eram mais prováveis ​​de serem relacionadas à tristeza ou emoção. Analisando o resultado, os pesquisadores suspeitam que no caso das notícias falsas, são mais compartilhadas em massa devido ao quesito "surpresa".

Pelo que parece as pessoas se sentem mais atraídas por notícias que sejam nojentas, violentas, tristes ou emotivas, seja a notícia verdadeira ou falsa.

As únicas notícias falsas não "chocantes", eram aquelas relacionadas à política. Grande parte delas relacionadas às eleições dos Estados Unidos. Surpreendentemente, no entanto, houve um pico ainda maior de fake news não-políticas no final de 2013.

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