Minha candidata ideal: mulher, negra e pobre. Refleti muito e cheguei a conclusão que preciso mudar o perfil do candidato que fará o que for por merecer o meu voto. Mas não poderei depositar minhas esperanças nesta personagem nas próximas eleições. Quer saber o por quê? Ela não será candidata. Acredito que ela mesma não votaria em si própria. Ela, assim como eu e milhares de outras mulheres, tem enraizado dentro de si o pensamento machista do homem branco, estudado, de boa aparência como concorrente ideal.

Essa mulher que acorda todos os dias às quatro da manhã para trabalhar como faxineira, leva os filhos pequenos para escola, volta, cuida da casa, roupas, alimentação e arruma tempo para fazer doces e salgados para fora não se vê como cidadã habilitada a um cargo publico.

Essa mulher negra que não recebe bolsa família, não tem plano de saúde, transporte digno, que construiu a própria casa e aprendeu a duras penas a lidar com os meandros burocráticos diários para conseguir remédios mais em conta, alimentos mais baratos e vagas em creche não se acha capaz de compor uma bancada politica.

Devemos isso ao auto depreciamento que somos submetidas diariamente pelos meios de comunicação.

Dessa mulher ouvi uma vez “Deixa de ser besta! Existe uma maneira mais simples de resolver isso!” Comentário acompanhado de uma sonora gargalhada que fez com que eu mulher branca, estudada e dona do meu nariz me sentisse uma esnobe tola.

Mas em quem votarei então? Não vou desistir do perfil que escolhi para me representar.

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Política

Pretendo escarafunchar as listas de candidatos da minha cidade até encontrar aquela flor perdida em um mar de ternos cinza e testosterona. Vou encontrá-la, tenho certeza. Pretendo crivá-la de perguntas. Como? Quando? De que jeito pretende fazer isso? E quando ouvir a resposta: “Deixa de ser besta! Existe uma maneira mais simples de resolver!” Acompanhada de um riso solto e sem as culpas que carregam os corruptos teimosos, saberei que a encontrei.

Farei aquilo que nunca fiz por qualquer outro candidato. Colocarei uma faixa com a foto dela na porta da minha casa anunciando minhas intenções eleitorais. Discutirei com os vizinhos e parentes. Vou encher a paciência de muita gente... Mas vou tentar ajudar a elegê-la, sem considerar possíveis favores que possa obter com isso mais adiante. E se no final não conseguirmos? Valeu a tentativa, valeu a possibilidade de colocar a cabeça no travesseiro à noite com a certeza de que fiz o melhor pela minha cidade e pelo futuro da minha filha.

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