São 11h30min da manhã de uma segunda-feira. Sr. T* está na fila do caixa rápido, de um banco qualquer, aguardando para sacar o dinheiro da sua aposentadoria. Ele tem 68 anos e mora com a esposa em uma cidade da região metropolitana de São Paulo. Sacou o dinheiro, comprou algumas miudezas e tomou o ônibus de costume seguindo para casa.

Desceu do ônibus por volta de 13h30min na rua de sua casa. Andou alguns metros, a rua deserta, foi quando ouviu o anúncio do assalto.

De certa forma ele já estava preparado e com muita calma tirou a carteira do bolso com o dinheiro e entregou para um assaltante que tinha na cara um meio sorriso de deboche e nem se preocupou em cobri-la.

O ladrão exigiu também seu relógio e verificou nos bolsos se não havia mais nada que pudesse roubar. Após recolher o que encontrou, gritou “Andando...bora! Cai fora véio...”. Sr. T. olhou fundo em seus olhos, fez um sinal positivo com a cabeça, virou-se e seguiu seu caminho.

Apenas alguns passos e o assaltante gritou “Véioo...” e, quando Sr. T. se virou para ele, estava com a arma apontada e atirou. Sr. T. caiu e horas depois lutava pela vida na UTI, de um hospital qualquer da periferia, onde permaneceu por mais de 40 dias.

Felizmente, saiu de lá vivo e para sua surpresa a polícia havia prendido o assaltante. Testemunhas fizeram uma descrição e foi identificado na gravação da câmera de segurança do banco: ele estava na mesma fila em que Sr.

T. aguardava para sacar sua aposentadoria, naquela segunda feira 11h30min da manhã, apenas duas pessoas atrás dele.

Essa situação se repete com mais frequência do que imaginamos. Segundo dados do Disque 100, um telefone da Secretaria de Direitos Humanos - SDH, a cada 10 minutos um idoso sofre violência no Brasil seja por crimes ou negligência da própria família.

De acordo com o Plano para Enfrentamento da Violência Contra Pessoa Idosa da SDH, algumas das formas mais frequentes de violência praticadas contra Idosos são:

  • Abuso físico ou violência física
  • Abandono
  • Negligência
  • Abuso financeiro

Importante notar que os idosos não sofrem apenas com a violência “externa”.

A maioria dos casos se dá no ambiente familiar.

Há inúmeros casos de abandono em que são deixados em asilos sem receber sequer uma visita. Muitos são explorados financeiramente por filhos e netos que usam suas aposentadorias para benefícios próprios. A maioria dos idosos não denuncia esses crimes por desconhecerem seus direitos ou por medo de perderem os únicos vínculos pessoais que têm: os familiares.

O Estatuto do Idoso garante vários direitos aos idosos. Leia o que diz o artigo terceiro:

Art. 3.º É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com a bsoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.

Casos como o do Sr T chocam pela violência explícita contra pessoas indefesas.

Precisamos também ficar atentos contra os casos mais discretos, que não acontecem à luz das ruas e com testemunhas, mas que são tão chocantes quantos assaltos e homicídios.

Se souber de algum caso, denuncie.

Telefones importantes:

  • Disque 100 – Ministério dos Direitos Humanos
  • 181 – para denúncias anônimas contra maus-tratos
  • 190 – Polícia Militar

(* Caso verídico, preservada a identidade)

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