Fui comprar ovos de Páscoa em uma loja de varejo de um shopping. Passeando pelos corredores descobri uma programação especial para crianças. A propaganda alardeava a oficina Mini Chefe de Páscoa, de 26 de março a 01 de abril. Evento gratuito. Só dezesseis crianças por sessão.

O informativo explicava que as crianças pintariam diversos desenhos, decorariam biscoitos e levariam para casa um brinde. Toda atividade orientada por monitores.

E lá fui eu com minha pequena enfrentar a fila. Afinal, a grana tá curta e diversão quase de graça o bolso agradece. Quase. Pois ir com criança ao shopping nunca sai de graça. E ainda demos sorte de conseguir um lugar na primeira sessão, pois houve uma desistência. Se assim não fosse mamãe aqui amargaria mais duas horas na fila.

E começou. As crianças foram vestidas com um avental e um chapéu de chefe com a logomarca do shopping.

Receberam um desenho que não tiveram tempo de pintar. O informativo falava em desenhos, no plural. Ganharam um pacotinho de pipoca, que não tiveram tempo de comer. Um prato descartável com 3 biscoitos e 3 recheios coloridos.

Cada mesa comportava quatro crianças. Para cada mesa distribuíram um copo descartável com granulado colorido. Depois, cada criança recebeu um descartável com brigadeiro. Dez minutos para confeitar tudo, e as monitoras começaram a distribuir caixinhas para as crianças guardarem os biscoitos e os recheios, terminados ou não.

Minha filha foi uma das últimas a entrar. Entrou às 16h05 e saiu às 16h25. A propaganda dentro do shopping não falava da duração do evento. Essa informação estava disponível na página do mesmo na internet – 30 minutos. O que também não se cumpriu.

Verifiquei postagens na página do shopping de pessoas que tinham comparecido ao evento para saber se valeria a pena. Encontrei o seguinte comentário: “Fiquei surpreso que minhas filhas não tenham saído cobertas de chocolate!”.

Oi? Como alguém conseguiria ficar coberto de chocolate recebendo uma colher de sobremesa de brigadeiro frio (as cozinheiras de plantão entenderão), e tão grudento que as crianças tinham dificuldade em retirá-lo do copo para espalhar nas bolachinhas?

Um pai, indignado, que não teve a mesma sorte que eu, e pelo olhar magoado da filha iria amargar 2 horas ou mais de fila, questionou a rapidez do evento e o motivo de precisarem esperar tanto pelo próximo.

Os eventos ocorriam de 2 em 2 horas, iniciando geralmente às 14h00.

Resposta do monitor: “Precisamos limpar tudo”.

Oi? Limpar o quê? Todo o material era descartável. O evento foi tão corrido que as crianças não tiveram tempo nem de fazer sujeira. Eu sei. Eu estava lá.

Enquanto as crianças brincavam, eu e outros pais tirávamos fotos e postávamos no Facebook, e outras midias sociais. Quando acabou tão rápido, eu me dei conta que tinha sido usada pelo shopping para garantir propaganda gratuita, gastando quase nada.

Burrice minha, admito.

Congratulações a quem imaginou esta estratégia de marketing. O estabelecimento gastou muito pouco para se promover, isso para quem recebe movimento estimado de 3,1 milhão de pessoas mês - segundo Wikipédia. A contrapartida em mídias sociais nem consigo mensurar.

Para minha filha, ficou o gostinho bom dos biscoitos e do brigadeiro grudento. Mostrou as obras de arte para o pai toda orgulhosa. Para a mãe, ficou o sabor amargo de quem se descobre enganado, e a obrigação de avisar as outras mães sobre o real propósito do evento.

Comparativamente: 3.100.000 pessoas/mês contra 416 crianças alegremente enganadas em 7 dias.

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo