O Rio de Janeiro teve mais um final de semana marcado pela violência. Entretanto, três fatos ganharam maior repercussão na imprensa nacional e internacional.

Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, cinco pessoas foram assassinadas na saída de um baile funk na manhã de sábado (28). Três homens e duas mulheres foram alvejados enquanto conversavam em frente a um trailer de lanche, próximo ao local onde ocorria o baile funk.

Os disparos foram efetuados de dentro de um carro que passava pelo local. Segundo testemunhas, os atiradores estavam encapuzados. As vítimas tinham entre 19 e 46 anos e morreram no local.

Ainda no sábado, dois policias militares foram mortos em pontos distintos da cidade. Na comunidade do Bateau Mouche, Zona Oeste do Rio, o sargento Carlos Eduardo Gomes Cardoso, de 36 anos, foi morto em combate em operação realizada pela Polícia Militar na comunidade dominada por milicianos e traficantes, que levam o terror a todos os moradores.

O cabo Antonio Carlos Oliveira de Moura, de 33 anos, foi morto por bandidos após ter sido sequestrado. Ao que tudo indica, o militar foi vítima de execução, haja vista os assassinos não terem lavado nada. O corpo do cabo foi encontrado em uma região de mata, próxima a uma comunidade na região dos Lagos. Os bandidos queimaram o carro do cabo em um ponto próximo do qual o corpo foi encontrado.

Trinta e oito policiais militares já foram mortos no Rio em 2018.

Em Angra dos Reis, litoral Sul do estado, dois homens foram baleados e mortos em confronto com a PM. Alguns moradores da comunidade, onde o combate ocorreu, decidiram levar os corpos das vitimas até a BR-101 em sinal de protesto, após ambos ficarem por mais de 14 horas expostos no local.

O perito não foi até o local onde ocorreram as mortes, pois precisava do apoio da PM para entrar na comunidade e todo o efetivo estava em operação.

Os dois corpos foram estendidos na pista, interditando a rodovia por uma hora.

O estado do Rio de Janeiro, sobretudo sua capital, está sitiada pelo crime organizado, que espalha o terror a toda a sociedade local e aos turistas que ainda visitam a cidade maravilhosa. A segurança pública, sob intervenção federal desde o final de fevereiro, não consegue garantir a segurança que toda população carioca tanto anseia.

A morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), ativista e defensora dos direitos humanos, é prova irrefutável da ineficácia dos projetos de segurança pública para o estado. A vereadora fez sérias denúncias de corrupção e violência praticadas pelo batalhão 41, o que mais mata na cidade do Rio, dias antes de sua morte. Ninguém foi indiciado pelo crime.

Há muito, a cidade do Rio vive sob o intenso domínio das facções criminosas, que tomaram os morros, colocando seus moradores em um verdadeiro clima de guerra, dadas as violentas ações de traficantes e milicianos, que disputam o poder dos territórios, além da Polícia Militar, que tenta combatê-los.

A população, sem apoio, fica no meio do fogo cruzado e muitos inocentes perdem a vida nesses confrontos.

A mazela estatal e a teoria da janela quebrada explicam o fortalecimento das organizações criminosas em substituição a desconstrução dos programas sociais. A teoria da janela quebrada foi criada na Universidade de Stanford (EUA) pelos criminologistas James Wilson e George Kelling na década dos anos 1980.

O estudo se fundamentou na experiência de deixar dois carros idênticos em bairros distintos da cidade de Nova Iorque. Um deles foi deixado com o capô aberto, sem placas e vidros quebrados, em um bairro pobre da cidade. O outro foi deixado sem nenhuma danificação em um bairro de classe média.

O carro danificado foi totalmente destruído em 24 horas, já o carro conservado se manteve dessa forma por duas semanas. Após este período, os pesquisadores quebraram parte dos vidros do carro, que logo foi completamente destruído por vândalos.

Os criminologistas perceberam que o fator que determinou tal conduta não fora a condição social distinta entre os moradores dos dois bairros, mas, sim, que o abandono é um convite a degradação, a invasão, tal qual ocorre com as cidades.

O estudo serviu como base para as autoridades de Nova Iorque para a implantação de combate às pequenas infrações, que agregados a fatores econômicos, sociológicos e psicológicos, contribuíram para a retomada da ordem pública da cidadania de todos. Os altos índices de criminalidade foram reduzidos em grande escala.

As facções criminosas ocuparam o território abandonado pelo poder público do Rio de Janeiro e impõem as regras aos cidadãos de bem. Onde há omissão estatal, os criminosos têm mais liberdade para agir.

A implantação de uma política pública eficiente devolveria o controle da cidade ao poder público e a paz aos moradores.

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo