Em 1948, o cientista político estadunidense Harold Lasswell comparava os veículos noticiosos a células nervosas que transmitiam rapidamente informações dentro do corpo humano, representado, neste caso, pelo social. Com a terceira Revolução Industrial e o advento da tecnologia, houve uma intensificação no processo de difusão da cultura de massa e da globalização, enraizando na sociedade conceitos como a instantaneidade.

Ocorre, portanto, uma inversão nos valores até então vigentes e uma supervalorização de objetivos pessoais, sobretudo profícuos, vivenciando o que chamamos de "Pós-verdade".

Irrefutavelmente, com o maior alcance das redes sociais houve um crescimento exponencial na disseminação das contemporâneas 'Fake news', mas a propagação de boatos é bíblica. No Brasil, por exemplo, foi fundamental para a proclamação da República em 1889 ou para o Golpe Civil Militar de 1964, com a suposta ameaça comunista, mas a deturpação da realidade atual se dá, porém, de forma distinta.

Atrelando uma sociedade polarizada aos meios de comunicação, ocorre a difamação de personalidades ou assuntos em evidência, usando-se de fontes e canais duvidosos, com discrepância entre dados e acontecimentos nem sempre facilmente identificáveis.

A "imprensa marrom" traz em seu conteúdo, além de informações não checadas, manchetes chamativas, o que facilita sua circulação, impulsionada muitas vezes por propostas específicas de alguns órgãos, que variam desde alastrar vírus a atravancar campanhas eleitorais, como tentou evitar a possível candidata à presidência Marina Silva, ou como já ocorreu com o presidente norteamericano Donald Trump em 2016.

A proporção tomada pela questão invade ainda o facebook, que com mais de dois bilhões de usuários ativos trouxe em suas resoluções para 2018 a responsabilidade de controlar o partilhamento de notícias mentirosas, adotando medidas polêmicas como um novo algoritmo, que infere diretamente na distribuição das postagens, priorizando perfis pessoais a páginas empresariais e aprimorando a interação entre amigos mais próximos.

Assim, as mídias sociais acabam assumindo um papel cada vez mais estrutural e influente na vida pública e a credibilidade do jornalismo é questionada constantemente, o que afasta as 'Fake news' de simples mentiras. Nesse contexto, ademais do compromisso das linhas editoriais em assegurarem-se cada vez mais do que é publicado, torna-se responsabilidade do leitor consultar sempre fontes seguras e não acreditar nem repassar tudo o que lhe é divulgado, uma vez que se não há consumo, não há produção.

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo