A Operação Lava Jato, importante conjunto de investigações deflagrada pela Polícia Federal em março de 2014, cuja conta com 50 fases. Durante elas, mais de 100 pessoas, entre políticos de diversos partidos e cargos, assessores políticos, empresários, secretários e até mesmo familiares de políticos e empresários, foram condenadas e presas por diferentes crimes.

Entre as irregularidades apontadas estão formação de organização criminosa, obstrução de justiça, corrupção passiva, corrupção ativa, gestão fraudulenta, operação fraudulenta de câmbio e recebimento de vantagem indevida.

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Muitos condenados se apoiam em acordos de delação premiada visando a diminuição de sua pena ou até mesmo o perdão judicial.

Mais de 150 acordos dessa natureza foram fechados, além de dez acordos de leniência, acordo de natureza administrativa fechada entre infratores confessos e entes estatais. Ademais foram recuperados aos cofres públicos até aqui mais de 10 bilhões de reais.

Nunca na história do Brasil se viu uma investigação tão profunda como essa, vasculhando, acusando e condenando políticos poderosos e empresários de renome.

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Evidente que a operação ganhou aprovação de grande parte da sociedade. Afinal, por décadas os corruptos pairaram soberanos sob o horizonte da impunidade.

Mas a Operação Lava Jato trouxe outro aspecto até então desconhecido no cenário político brasileiro e que causa espanto aos milhares de brasileiros que acompanham atentos a cada novo episódio. É o sentimento de vitimismo dos políticos investigados pela Polícia Federal e Ministério Público Federal , visto que há um sentimento de injustiça àquele que tem o nome vinculado a atos delituosos investigados pelos operadores do direito.

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Lava Jato

Tornou-se rotineiro. Basta a imprensa noticiar o nome de um político que esteja sendo acusado ou que esteja sob suspeita de envolvimento com atos delituosos e pronto, lá está ele tomado pela síndrome do vitimismo.

Os sintomas se manifestam da mesma forma, não importa o partido político ou o cargo eletivo. Então vejamos, cercado por microfones e câmeras, tal político dispara: "querem denegrir minha imagem que foi construída com muito trabalho, sou vítima de um grupo político que quer a todo custo chegar ao poder". Por fim, encerra o discurso dizendo que acredita na Justiça e que irá provar sua inocência.

Operação Lava Jato, a grande deflagradora da síndrome do vitimismo

A operação tem tirado o sono de muitos políticos brasileiros envolvidos em atos criminosos e evidentemente eles sabem que a qualquer momento podem ter seus nomes gritados pelo Poder Judiciário. Esse medo, somado ao sentimento de impunidade presente na mente do infrator, provoca a síndrome do vitimismo, que soa como uma autodefesa, vez que a vítima prefira partir para o ataque verbal.

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A síndrome do vitimismo faz com que a pessoa distorça a realidade dos fatos e não assuma a sua responsabilidade, por entender que não a tem. Para ele, a culpa sempre será dos outros. No caso dos políticos investigados pela Lava Jato, a culpa sempre será do acusador.

A pessoa acometida por essa síndrome age de forma a manipular os seus ouvintes, pois, ao incorporar o papel de vítima, ou seja, da parte mais fraca do elo, procura sensibilizar o seu interlocutor.

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O político, dotado de capacidade persuasiva, ao ser tomado pela síndrome do vitimismo, se convence de sua honestidade, moralidade e principalmente inocência. Dessa forma, tenta convencer a opinião pública de que o verdadeiro criminoso é aquele que quer incriminá-lo.

Resta saber se a síndrome do vitimismo que tanto assola o político brasileiro vai resistir a vacina chamada Lava Jato, que vem sendo aplicada de forma eficaz.

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