É assim que me sinto no meio deste debate sobre liberar ou não as drogas. Achando que sei alguma coisa e descobrindo que não sei coisa alguma. Sou mãe e isso por si só me coloca em uma posição desfavorável a legalização.

O vício em drogas e como evitá-lo é um dos fantasmas que assombram minha posição de cuidadora. Legalizar as drogas por grau de periculosidade, iniciando pela maconha, é a proposta mais discutida. Mas a maioria de nós imagina que a maconha é muitas vezes a porta de entrada para outros vícios.

Nem sempre.

Em muitos casos a primeira droga experimentada pelos jovens é o álcool, depois a maconha. Então, seria o caso de nos perguntarmos do por que de darmos ok para aquela cervejinha e arrancarmos os cabelos quando achamos um pouco de erva com nossos filhos.

Não é à toa que existem leis para idade mínima em que jovens podem consumir bebida alcoólica. Provavelmente elas passarão a valer para a maconha também, pois me parece que a legalização é inevitável.

Proibir, coibir, prender, perseguir, desmantelar a Cracolândia, nada disso tem dado resultado.

O tráfico movimenta números exorbitantes tanto no que diz respeito ao fornecimento de seus produtos quanto no que diz respeito aos lucros.

O contrabando de drogas é atualmente a única indústria que não para de crescer mesmo em meio à crise. Mas cobra seu preço em corrupção, latrocínios, prostituição e violência. Os defensores da legalização argumentam que a liberação diminuiria os casos de roubo e meretrício.

Não concordo. Aqueles que assaltam ou vendem o corpo para conseguir dinheiro para manter o vício continuaram agindo da mesma maneira.

Não me consta que a legalização resultará no milagre de transformar estas pessoas em cidadãos produtivos da sociedade.

Se antes o cara roubava o estepe do carro para trocar por droga, agora vai roubar do mesmo jeito. Vai vender o pneu em alguma quebrada e comprar droga na lojinha da esquina. Com nota fiscal.

Outra questão a se levar em consideração. Liberou geral e agora? O que fazer com milhares de usuários transformados em trapos doentes e sem dignidade? Quem cuida dessas pessoas? Quem paga essa conta?

Qual o motivo para maconha, cocaína, heroína serem ilegais e álcool e cigarros poderem ser consumidos livremente? O álcool e fumo matam quase tanto quanto overdose de drogas.

Mas a verdade é que a liberação das drogas, mesmo que aos poucos, me parece inevitável. Lutar contra a experiência mostra tem sido bem pouco produtivo e não resultou em nada até agora. Então, vamos aceitar a máxima do capitalismo? Se não podemos lutar com eles, então, por que não lucrar com eles?

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