Esta noite, ao entrar em uma lanchonete da região central de São Paulo, uma cena me chamou a atenção. Nesta lanchonete, curiosamente os televisores não estavam todos sintonizados no mesmo canal como de praxe acontece em muitos bares.

Em uma das mesas estava sentado um senhor negro, alto e magro, que olhava para a apresentadora de um telejornal e que não escondia o sorriso a cada momento em que a apresentadora falava pra as câmeras.

Jovem que também era negra. Enquanto aguardava meu pedido, eu estava sentado no balcão olhando mais para o senhor que para o telejornal.

Em determinado momento, o jornal passou a noticiar o terremoto que aconteceu na Bolívia e que chegou a esvaziar prédios na Avenida Paulista. Distante cerca de dois mil quilômetros do local do abalo sísmico. O senhor, percebendo que eu também olhava o telejornal, olha pra mim sorrindo e diz: "Nossa, lá na Paulista!".

Acenei com a cabeça positivamente e respondi: "que coisa mais louca, né!"

Subitamente, a moça negra que apresentava o telejornal começa a comentar a notícia junto com seus companheiros de bancada. Nisso, o senhor sentado me diz que se tratava de sua filha, com inegável orgulho e senso de dever cumprido.

Esse fato me fez pensar nesse artigo, que não narra um acontecimento político novo, ou a vitória de um time no campeonato que disputa, menos ainda se alguém que passa um determinado tempo confinado em uma casa ganhará o prêmio oferecido.

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Esse fato me fez pensar em nossas realizações. Verdadeiras realizações.

Esse senhor, que via sua filha na tevê, com certeza estava se sentindo realizado. Talvez até com aquela sensação de dever cumprido por criar sua filha e a ver apresentar um telejornal ao vivo visto em muitas regiões do país.

Educare

Acho que isso mostra nossa responsabilidade como pais, nossos deveres, nossas obrigações. O jeito humilde daquele senhor de forma alguma inspirou desrespeito.

Muito pelo contrário, seu sorriso descontraído e cativante mostrava nele a força de um homem que no quesito criação de sua filha se saiu muito bem.

Acho que um exemplo para muitos de nós, que muitas vezes não apoiamos nossos filhos em seu desenvolvimento intelectual, ou apenas exigimos da escola um papel que é nosso: educar. Sim, eu usei a palavra educar.

Solicitamos da escola a melhor educação para nossos filhos, os melhores professores, as melhores condições.

E é justo. Mas talvez, diante de nossa atual vida acelerada com vários compromissos inadiáveis e metas algumas vezes imbatíveis, acho que esse senhor se saiu na mais importante meta de sua vida: a educação de sua filha.

Educar vem do latim, que quer dizer educare, que significa conduzir para fora. Tenho uma opinião em relação à educação: educação vem de casa, vem de berço. Escola é local de aprendizado.

Acho que no caso desse senhor a união, educação e aprendizado andaram lado a lado. Talvez a maior certeza disso não seja sua filha na televisão, mas o brilho de orgulho em seus olhos.

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