É possível unir crescimento da empresa com sustentabilidade social? O interesse pelo tema surgiu após ler o artigo de Luiz Lemos, que faz uma boa relação entre a busca por progresso em contraposição à desenvolvimento sustentável nas empresas contemporâneas. Para unir os dois é necessário uma mudança de conceitos.

Em todo período da humanidade, um salto tecnológico foi responsável por grandes transformações sociais e econômicas.

Na cerne de cada transformação, a forma como se faz negócios sempre também sofreu grandes transformações.

O exemplo mais forte que temos sobre isso foi a revolução industrial, onde um tremendo salto tecnológico possibilitou a produção em massa de produtos básicos a sobrevivência humana nas cidades, desencadeando não apenas um desenvolvimento urbano agressivo, como um sistema de gestão de negócios baseado na produção de produtos cada vez mais baratos para atender uma população cada vez mais urbanizada.

Um legado que nossa geração empresarial tem deste período é o conceito de que quão mais baixo estiverem os custos de produção, mais eficiente será a empresa em termos de sobrevivência financeira. Este conceito, como sempre, tem sido praticado na maior parte das empresas brasileiras, considera os stakeholders - como são chamados todos os interessados na empresa, sejam eles fornecedores, sócios ou membros das comunidades ao redor da empresa - os elementos a serem "contidos".

Essa contenção estabelece políticas que podem até mesmo promover projetos sociais ou ecológicos, mas como parte de um cenário secundário da empresa. Uma despesa a ser compensada pelos lucros da empresa, que terão pouca ou nenhuma relação com eles.

Mas em meio à uma sociedade cada vez mais conectada e uma pluralidade extremamente maior de empresas no mercado, a relação entre a empresa e seus stakeholders tem se intensificado.

Dessa interação surgem negócios cuja sustentabilidade social se destaca, não por ser um projeto secundário da empresa, mas, sim, por ser o caminho financeiro dela e um dos grandes fatores de sua sobrevivência no mercado.

Sobre isso, recorto aqui um trecho da obra de Richard Barret que clareia bem essa concepção: “A terceira mudança do ‘eu’ para o ‘nós’ envolve não apenas dar suporte aos interesses dos seus parceiros de negócios e das comunidades locais onde se opera, mas dar suporte aos interesses de todos os seus stakeholders – funcionários, fornecedores, clientes e acionistas, bem como os interesses da nossa sociedade global.

Onde quer que haja pessoas que ‘entrem em contato’ com o seu negócio, você precisa mostrar a elas que se importa com suas necessidades. Esse conceito de se importar com todos os stakeholders está no cerne do interesse crescente no capitalismo consciente.“ (Organização Dirigida por Valores, de Richard Barret).

Um dos exemplos é a editora Mol, com sede em São Paulo, que publica livros e revistas de baixo custo e doa parte do que ganha para causas sociais.

Como? Desenvolve materiais conectados às causas que apoia e os distribui através das empresas influenciadas por esta mesma causa.

Assim, ela transforma causas sociais em valor a marca e beneficiados pela causa em distribuidores do produto. Este processo todo garante o crescimento da empresa em um mercado onde as demais editoras estão lutando para sobreviver com vendas incertas.

A editora Mol é um case que ilustra bem um sistema financeiro que não coloca os stakeholders em segundo plano, mas, sim, os utiliza como parte essencial da proposta de negócio. Esta mudança de conceito é essencial para a sobrevivência das empresas nos próximos anos.

Surgiu interesse em como a sustentabilidade social pode se tornar mais que um projeto da empresa, mas, sim, elemento-chave da receita? Recomendo o artigo de Ana Mazeo sobre o chamado negócio social. No texto, ela detalha como funciona a concepção de uma empresa assim e até indica alguns passos na construção da proposta da empresa.

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