Deadpool monta uma equipe de mutantes para proteger um garoto temperamental e poderoso de um perigoso mercenário que veio do futuro para exterminá-lo. A direção é do David Leitch, ele co-dirigiu o primeiro 'John Wick' (2014) e dirigiu 'Atômica' (2017). Ele é muito bom para sequências de ação, e aqui ele consegue misturar ação e humor muito bem. Ele mistura uma violência mais gráfica com o uso engenhoso da câmera lenta, com uma coreografia à base do caos, a "sorte" é muito bem trabalhada aqui e quem assistir vai saber exatamente como.

As escolhas musicais foram sensacionais e inesperadas. A maneira como certas ações são "casadas" com certas músicas é muito sagaz.

O filme é engraçadíssimo, mas pode ser que ele não supere o original, pois há muitas piadas que são uma versão reciclada. Um exemplo: lembram da cena do primeiro, em que o Deadpool está crescendo uma mão de bebê, pois a sua fora cortada? Aqui temos uma cena parecida, mas numa nova versão. Em comparação ao primeiro filme, cada um tem atributos diversos a seu favor. Se o de 2016 foi mais eficaz na comédia, o novo superou o primeiro em questões como a complexidade da trama e a forma como ela foi trabalhada.

O desenrolar da história de "Deadpool 2" é mais cheia de indas e vindas, e o filme demora um pouco mais para deixar claro qual o seu arco principal. O que parece ser algo ruim, nesse caso não foi. O que foi apresentado antes da história engrenar acaba rimando com o todo, de certa forma, e há uma relação compreensível de uma coisa que vai levando à outra.

O roteiro surpreende, com aparições de personagens que simplesmente não esperamos ver.

Quanto às sequências de ação, esse tem uma leve vantagem. Conseguiu entregar cenas compreensíveis e criativas. As cenas de ação de "Deadpool 2" são mais numerosas, mais complexas e em uma maior escala de destruição.

O Ryan Reynolds continua perfeito como Deadpool, sarcástico, cheio de humor metalinguístico, quebra da quarta parede, todas as referências imagináveis à cultura popular, o filme é todo dele, sobra pouquíssimo espaço para desenvolver o restante do elenco.

Quem mais sofre com isso é o Josh Brolin (Cable), que está bem, mas o roteiro não nos diz muita coisa sobre a origem do seu personagem, exceto por um pequeno flashback. Mas no segundo ato, o roteiro subverte as coisas, e o Cable ganha um pouquinho de personalidade.

A Zazie Beetz (Domino) merece destaque, ela faz algumas observações engraçadas, e o poder dela, se bem utilizado, como é aqui, pode render coisas interessantes em filmes futuros. Os outros membros do grupo X-Force não se desenvolvem, pois saem de cena rápido, dando origem a um novo grupo no final. Os demais personagens não estão muito diferentes do primeiro filme.

Há alguns segmentos em que o filme torna-se mais sentimental. O humor e a violência funcionam em conjunto.

Fiquem para a cena na metade dos créditos, é muito engraçada. "Deadpool 2" é mais incongruente do que o original em termos de tom e narrativa, mas continua subversivo, perspicaz e divertido.

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