Um dos principais motivos para a crise econômica no Brasil é o déficit na matriz de transporte do país, a malha ferroviária é muito curta e ultrapassada, a maior parte das estradas estão danificadas, a extensão dos rios quase não é aproveitada para o transporte e o sistema aéreo é pouco eficiente para transportar cargas comerciais.

A situação da matriz de transporte rodoviário no Brasil

Apesar desse meio de transporte ser motivo de 90% das reclamações dos comerciantes que dependem dele, a maioria das cargas comerciais internas são transportadas pelas rodovias do país.

Durante vários anos, caminhoneiros fazem a entrega de 60% dos produtos comercializados principalmente nos centros urbanos. Eis a apresentação dos fatos que mostram a realidade rodoviária Brasileira:

  • O Brasil possui um total de 1,6 milhão de quilômetros de extensão total de rodovias.
  • Os serviços de transporte gastam cerca de 165 bilhões de reais por ano para serem executados em todo país.
  • 73% das rodovias se concentram nas regiões Sul e Sudeste do território nacional.
  • Apenas 13% das estradas brasileiras são pavimentadas.
  • 60% do trecho de estradas pavimentadas está irregular, danificada com rachaduras e buracos, causando assim o aumento do custo de transporte, como também, não possui sinalização adequada, colocando os motoristas em maior perigo.
  • Estima se que a reforma das rodovias trará uma redução de 25% dos custos de transporte por ano.

Em 2007 foi lançado o PAC, Programada de Aceleração do Crescimento, um projeto que tem como objetivo aprimorar e recuperar a infraestrutura das rodovias brasileiras, teve um investimento de 260 milhões de reais em sua primeira fase.

O projeto PAC é avaliado em 1,1 bilhão de reais até que seja finalizado, sendo que existe previsão de 43 bilhões a serem adicionados, com o objetivo de criar novas rodovias, principalmente na região Norte do Brasil.

Para que todas as necessidades básicas do transporte rodoviário sejam sanadas, será necessário um investimento de 183,5 bilhões de reais, além disso, para manter todas as estradas do território Brasileiro em um alto nível de qualidade (o que seria o ideal), precisariam ser investidos cerca de 812 bilhões de reais, o que é 19 vezes mais caro do que o valor previsto no PAC.

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Governo Michel Temer

Com os altos custos ligados ao desenvolvimento da matriz de transporte rodoviário, o Governo Federal tem utilizado de parcerias com o setor privado, empresas de pedágio dominam cerca de 15 mil quilômetros de rodovias e possuem uma rentabilidade de aproximadamente 8 bilhões de reais por ano.

Todos esses defeitos na infraestrutura das estradas, somado à carga tributária instituída pelo governo, geram um custo de vida cada vez maior ao cidadão Brasileiro, os empreendedores e os profissionais da área do transporte e comércio são uma das classes mais prejudicadas por esses abusos.

A greve dos caminhoneiros e os danos ao cenário político

Segunda feira, 21 de Maio de 2018, se iniciará uma greve com iniciativa da Associação Brasileira dos Caminhoneiros, tendo uma adesão inicial de 700 mil trabalhadores que atuam diretamente e indiretamente na área do transporte, comércio e de combustíveis.

A greve ainda não possui prazo para terminar, a principal causa para essa decisão, foi o aumento de 12% do preço do diesel só no mês de Maio, chegando ao preço de 4,00 reais por litro nos postos de combustível em todo país.

As exigências para que a greve acabe são:

  • A isenção dos impostos de contribuição social: PIS, PASEP e Confins para os trabalhadores e empresas do ramo.
  • Fim do imposto de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico no diesel e no óleo usado para a manutenção dos veículos utilitários.
  • Estima-se uma redução de 42% do custo de combustíveis com a isenção dos impostos.

A greve será voluntária e pacífica, não se utilizarão de bloqueios nas rodovias para não prejudicar outros motoristas, a maior parte dos apoiadores da greve são os caminhoneiros autônomos, porém, várias empresas de transporte estão aderindo a greve.

No mandato presidencial da antecessora de Temer, Dilma Rousseff, houve uma greve dos caminhoneiros em 2015, em que o governo ofereceu benefícios e melhorias para o fim da greve, os mesmos nunca foram cumpridos e precisam ser reivindicados.

A greve dos trabalhadores responsáveis por levar a maior parte das mercadorias que abastece mercado, vai culminar em um problema econômico gravíssimo a médio e longo prazo, pois, com a falta de transporte, produtos básicos como alimentos e remédios, irão se esgotar em questão de tempo, a longo prazo, podem até faltar para a população.

O esgotamento gradativo dos produtos, também significa um aumento de custo para fornecer e repassar os mesmos para a população, se problemas econômicos "comuns" que o povo brasileiro enfrenta como: impostos altos, inflação, alta no dólar etc., já prejudicam a vida financeira da maioria das pessoas, quanto mais prejudicado o povo será com a crise do transporte rodoviário, situações como essas impulsionam a indignação e a revolta dos cidadãos contra o governo.

É fato que o cenário econômico atinge o político e vice-versa, por isso, caso o Governo Federal não tome as medidas necessárias para melhorar as condições dos trabalhadores dos caminhoneiros, as chances de uma revolta popular contra o presidente Michel Temer serão cada vez mais altas, da mesma forma como aconteceu a Dilma Rousseff.

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