Uma declaração polêmica de Pascale Lemare, diretora do serviço de adoção de Seine Maritime, no noroeste da França, causou revolta entre a comunidade LGBTI na última semana. Durante uma entrevista a um programa de rádio da emissora francesa France Bleau, Lemare respondia perguntas sobre adoção quando foi questionada a respeito do grau de dificuldade que um casal homossexual encontraria para adotar um bebê.

A resposta de Lemare foi taxativa; segundo ela, seria 'complicado' que um casal gay adotasse um bebê recém-nascido saudável: ''existem pais que correspondem melhor aos critérios'', declarou. Para os casais homossexuais, restariam as crianças maiores, com problemas de saúde, deficiências físicas ou problemas de ordem psicológica.

Durante a entrevista, Lemare ainda fez questão de frisar que, para ela, os casais homossexuais são ''atípicos'' no que diz respeito às normas sociais e biológicas e que, portanto, poderiam, caso tivessem interesse, adotar crianças ''diferentes''.

Ao ser questionada a respeito do que poderia ser considerado uma criança ''diferente'', Lemare respondeu, sem qualquer hesitação, que seriam as crianças mais velhas ou as mais jovens ''que ninguém quis''.

Lemare ainda explicou que muitas pessoas não querem adotar crianças com deficiências ou com problemas psicológicos - segundo ela, é ''normal'' os adotantes terem esse tipo de restrição - e que, caso queiram, os casais homossexuais poderiam optar pela adoção de uma dessas crianças.

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LGBT

Associações que lutam pela defesa dos direitos LGBTI prestam queixa por homofobia

A atitude de Lemare fez com que Pascal Martin, presidente da região de Seine Maritime, emitisse um comunicado declarando que a orientação sexual dos adotantes não é, sob nenhuma hipótese, um critério de avaliação no momento da adoção de uma criança.

Oliver Dussopt, secretário do ministro de Ação das Contas Públicas, disse que tais palavras ''vão na contramão dos princípios de igualdade que caracterizam a função pública''.

Alexandre Urwicz, presidente da Associação de Famílias Homoparentais, declarou que pretende prestar queixa contra atitude claramente discriminatória de Lemare.

Géraldine Chambon, do centro LGBTI da Normandia, disse que todos em sua associação ficaram ''escandalizados'' com a entrevista de Lemare. Embora diversas histórias de cunho homofóbico sobre a política de adoção local sempre tenham circulado, causando a revolta da comunidade LGBTI, ninguém jamais havia tido provas de que eram reais.

Antes da entrevista com Pascale Lemare, a rádio France Bleau havia coletado depoimentos de três casais homoafetivos que já vinham acusando o Estado de discriminação durante suas tentativas de adotar uma criança.

Um destes casais, formado por duas mulheres, exibiu uma confirmação exata daquilo que Lemare disse em sua entrevista.

''Ela disse que, caso quiséssemos seguir com o processo de adoção, precisávamos estar preparadas para receber uma criança maior, 'diferente' com com problemas de saúde'', conta o casal.

O Conselho Departamental da região afirmou que fará uma auditoria para averiguar disfunções no serviço de adoção de Seine Maritime.

O portal France 3 - Normandie indicou, na útima quarta-feira (19) que Lemare teria sido afastada de seu trabalho como medida cautelar após suas declarações homofóbicas.

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