A falta de combustíveis nas bombas dos postos de gasolina devido à greve dos caminhoneiros faz-nos refletir sobre o modo como se vive nas cidades. Principalmente nas grandes cidades.

Hoje tudo se move, se desloca e se transmite rapidamente: carros mais potentes, Internet banda larga, comunicação instantânea, praticidade.

Boa parte da população habita em um bairro, vai trabalhar em outro e necessita para chegar de um ponto a outro passar por endereços de outros bairros.

Nos fins de semana, dá para visitar os amigos, ir à farmácia, ver aquele bar descolado. Mas, nem sempre ficam ali dobrando a esquina ou em frente à porta de casa.

Não há dúvida de que a greve dos caminhões lança um pensar para além do que se vive atualmente: quem não ficou apreensivo ou ansioso só por ter a expectativa de não chegar ao Trabalho ou à escola para deixar os filhos? Coisas da falta de combustível.

Além de mostrar o surrado conhecimento de que o Brasil é altamente dependente do transporte rodoviário, sua economia e seu crescimento estão atrelados a pneus e barra de direção.

Certamente, muitos conhecem pessoas que trabalham em prédios localizados em regiões chiques e moram na zona leste de São Paulo. Já deu para imaginar o tempo de deslocamento, não é verdade?

Na mesma cidade de São Paulo, cerca de um terço de transporte é feito de carro.

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Curiosidades Vagas

Sem gasolina nos tanques, muitos preferiram usar o transporte público. O cenário foi de hiperlotação para um sistema defasado em função das necessidades dos paulistanos.

Entretanto, nem tudo ficou perdido, pois alguns (ou vários) paulistanos, compreendendo a situação delicada que a capital passava, optaram por meios alternativos: a bicicleta e as pernas.

Trocando o carro

A tese de que melhorar o transporte público por andar a pé não parece tão absurda.

Claro que depende da distância a percorrer. Caminhar até 2,5 km pode fazer bem para a saúde e para o coração. Segundo um estudo, 42% dos deslocamentos feitos de carro são para destinos a menos ou igual a 2,5 km. Não obstante a presença de ladeiras, não deixa de ser um convite para olhar a cidade por outro ângulo. Dá para sentir São Paulo, não somente vê-la da perspectiva de passageiro ou de motorista.

Esse convite é bem atrativo se se considerar a descoberta de novos pontos que, antes, não eram possíveis ver ou olhar com mais detalhe. Deixando de prestar atenção no trânsito, passa-se a ver aquela “vendinha” na esquina, a padaria recém-inaugurada, uma costureira que faz remendos nas roupas. Demora-se mais indo a pé, mas a experiência fica mais prazerosa, sem estresse.

A bicicleta

Bem, a “magrela” pode ser utilizada para os percursos de até 7,5 km, já que é mais rápida do que andar a pé.

Em comparação com os horários mais complicados de trânsito, a bicicleta ganha em tempo gasto. Mais amigável depois da implantação de ciclovias, o percurso de “bike” abrange muitos bairros de São Paulo, o que por consequência, influi na tomada de decisões das pessoas.

De acordo com um estudo feito nos Estados Unidos, aqueles que optam por caminhar ou pela bicicleta ficam mais ágeis para se concentrar em suas atividades de trabalho. Outro benefício de adotar essas práticas está na diminuição do nível de poluição.

Percursos longos: transporte público

Os brasileiros ainda estão longe de outras cidades do mundo ao escolher o transporte público como meio de deslocamento. Se você mora perto de corredores de ônibus, estações de metrô ou de trem, você faz parte dos 25% que se locomovem por transporte público. Os paulistanos estão bem atrás dos cariocas (47%) e muito distantes dos habitantes de Paris (100%), Nova Iorque (77%) e Cidade do México (48%).

Caso o plano de transporte saia do papel como está planejado, projeta-se que o índice atual salte para 70%, ajudando na troca do transporte individual pelo coletivo. É um longo caminho, mas faria muito bem a economia no bolso se se pensar em termos de manutenção, estacionamento e combustível.

Repensando a cidade

São Paulo é a sede de muita gente; seja para viver, morar ou trabalhar, o bairro dá a noção de pertencimento e de satisfação de necessidades. Uma das melhores práticas é caminhar, andar. Ao ver os problemas da calçada, do poste torto e da praça abandonada, percebem-se problemas e, quem sabe, o povo tome conta daquilo que sempre lhe pertenceu: o espaço público.

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