O mercado editorial brasileiro vive um momento tão feliz quanto a venda de livros permite que seja, como diz Leandro Carnal, nunca se leu tanto ou, ao menos, nunca se vendeu tantos livros; não se lê mais Proust, mas outras obras são devoradas e, como diz Rubem Fonseca pela boca da personagem Gustavo Flávio, nome artístico de um escritor de sucesso em referência a Gustave Flauber, aprende-se a escrever com os escritores, tanto os bons quanto os ruins; a nova geração não será como aquela que leu Proust, mas esse não é único diferencial entre elas, o mundo é outro.

Em que pese as estatísticas contrariem a percepção do professor e historiador Dr. Leandro Carnal, haja vista às quedas de 2015 e 2016, não se pode duvidar da enxurrada de títulos que chegam as livrarias e lotam catálogos de megastores (como Amazon e Saraiva), e nisso o que se constata é que surgem mais obras da qualidade duvidosa do que clássicos instantâneos, é uma enchente literária e como nos diz Boaventura, em uma enchente a primeira coisa que calha de faltar é água potável, pois bem, o que falta, então, é Literatura potável.

Mas o fluxo dessa vertente de água fresca não reduziu, o que se opera é um velamento dessa alta literatura pela força da literatura comercial.

Cabe ao leitor garimpar, investigar, procurar e encontrar novos autores, não escritores jovens, não nomes desconhecidos do grande público, não se trata de ser "diferentão", mas nomes desconhecidos para o próprio leitor em sua singularidade; nisso não há vergonha, ninguém é obrigado a saber tudo, afinal de contas, a leitura literária é um exercício que não tem fim.

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Literatura Opinião

Os instrumentos para a investigação são muitos, além da crítica (seja impressa ou por booktubes) e de listas de mais vendidos (que podem representar uma armadilha bem elaborada) tem-se importantes prêmios literários, alguns voltados a toda do literato, como é o caso do Nobel (que já premiou nomes populares como Bob Dylan) e do Camões (que premia escritores da língua portuguesa), e outros voltados à premiação de obras específicas do ano e aqui pode-se destacar o Jabuti, prêmio nacional com diversas categorias, o prêmio Saramago e o Pulitzer, esse último volta-se, exclusivamente, às obras de língua inglesa.

Todos prêmios que servem de norte ao leitor, tanto para encontrar autores quanto para encontrar obras de qualidade.

É claro que todos os prêmios acabam envoltos em polêmicas, em 2018 a polêmica que envolve o Nobel é de abuso sexual, que de certo modo os desprestigiam, fragilizam sua autoridade, bem como o nível de neutralidade do concelho de avaliação (neutralidade no sentido de autonomia do próprio campo).

Mas o fato é que grande parte dos autores e das obras alcançam status de clássicos e acabam compondo o cânone literário, ao menos em um quadro nacional.

Literatura de qualidade não é apenas literatura "clássica", não há necessidade de se recorrer aos escritos do século XIX ou anteriores, jovens: despertai, a literatura contemporânea apresenta obras memoráveis, loucas e frenéticas como é esse é o tempo corrente, mas também marcadas por uma sensibilidade tamanha que alcança toda a humanidade.

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