Quando uma nova série se inicia, é necessário mostrar esplendor, aquele diferencial que vai fazer com que os expectadores anseiem pelo próximo capítulo, e que tenha uma trama desenvolvida em um arco longo o suficiente para sobreviver à sua temporada inicial, mas que vá mostrando ao menos capítulos se encerrando, de forma que seja desenvolvido de forma faseada.

Mas ao se falar de séries de universo compartilhado, como podemos verificar tanto no "Arrowverse" como no universo dos "Defensores", que teve suas críticas, essa estrutura clássica perde um pouco o sentido e permite uma liberdade maior aos roteiristas.

E é isso que vemos na segunda temporada de Luke Cage.

Se em sua primeira temporada o herói do Harlem é instigado a sair do anonimato e botar suas habilidades à prova de um ideal maior, que culminou no cross-over de Defensores, o momento seguinte à uma conquista épica é lidar com as consequências de tudo o que ocorreu. Velar os mortos, cuidar dos feridos e consertar aqueles estragos que ainda têm solução.

O melhor exemplo vem da policial que perde um braço e passa por um ciclo de dor e aceitação.

Já a dor de Luke é mais profunda. Com a celebridade, vem junto a abertura de velhas feridas. Nada mais justo que a série assuma, assim, um tom mais intimista. Se a exuberância dava o tom, agora uma sobriedade auto-centrada toma a frente e apresenta personagens perdidos, sem rumo, buscando sentido em suas vidas.

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Tanto do lado dos heróis como do lado dos assim chamados vilões, mostrando que até o maniqueísmo tem sua relativização.

Lançada após a segunda temporada de Jéssica Jones, que assume tom similar, a série continua funcionando bem no universo compartilhado criado, estruturada de forma que não seria absurdo pressupor a existência de um Luke Cage, de super heróis e vilões. Contudo, a narrativa intimista é diametralmente oposta ao que ocorre com a grande maioria das narrativas heróicas, fazendo assim a série correr sérios riscos de perder audiência e até eventual cancelamento, tal como aconteceu com a última temporada de Lúcifer, salva recentemente pela mesma Netflix, que comanda essa linha de heróis da Marvel.

Cada vez mais, Luke Cage, deixando de lado a violência despropositada e o discurso majoritariamente racial, se afasta de Raio Negro, herói ao qual é comparado no universo DC, o que de certa forma é interessante para mostrar diferentes formas de se entender o mesmo problema. Desde que Luke Cage volte a ter uma trama empolgante, é claro.

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