Recentemente, uma publicação muito compartilhada foi a de uma suposta estudante, Marcela Pereira, que ganhou o segundo lugar em um concurso de física nuclear na Rússia. Porém, o evento não tem data de acontecimento ou informações adicionais dizendo em que lugar do país ocorreu e como se procedeu tal concurso. Além disso, a imagem que aparece na publicação não é de uma estudante e sim de Mia Khalifa, uma ex-atriz erótica.

Aparentemente, a referida 'fake news' começou no México e desde então se propagou por muitos perfis (até mesmo de brasileiros) que não reconheceram a notícia como uma brincadeira.

Ocorre que, inclusive no próprio México, o ex-chefe de Governo Marcelo Ebrard compartilhou em seu perfil no Twitter uma mensagem em apoio à suposta estudante. Mais tarde, Ebrard publicou um tweet retratando-se em seu perfil por ter compartilhado esse boato.

O leitor pode pensar que esses boatos causam no máximo umas boas risadas, mas o engano cometido pelo ex-chefe de estado mostra até que ponto uma simples brincadeira, como a citada acima, pode chegar. O ano de 2018 é um ano de eleições no Brasil e quais são as consequências para um eleitor que não está com o filtro ligado para este tipo de coisa?

O leitor pode aceitar como verdade o que leu em uma publicação qualquer, cujo autor pode ter intenções muito específicas e usar dessas informações supostamente verídicas para tomar suas decisões políticas. Um exemplo é o caso do deputado Francischini, aliado de Jair Bolsonaro, que destinou parte de sua cota parlamentar para uma empresa famosa por lançar boatos virtuais.

Aspectos comuns à maioria das fake news

As “fake news” (expressão que em uma tradução livre significa “notícias falsas”) costumam trazer consigo algumas características particulares, o que pode servir como um aviso de que determinada informação é questionável. Geralmente elas seguem o seguinte formato:

1) São sensacionalistas/ conspiratórias

  • Possuem tom alarmista e geralmente dão a entender que ter aquela informação em mente diferencia o leitor dos demais, ou que aquela notícia pode estar sendo encoberta pelas grandes mídias, tal como a televisão, e o internauta, por saber e compartilhar aquele boato torna-se mais esperto.

2) Pedem para que sejam compartilhadas

  • Como todo bom boato seu objetivo é circular, por isso é comum em textos como esses surgir o pedido para que sejam compartilhados para o máximo de pessoas que você puder.

3) O evento não tem data de acontecimento

  • Com essa característica muito importante um boato antigo tem a possibilidade de circular novamente, pois a ausência de data pode passar a impressão de ser uma notícia recente.

4) Fonte inexistente ou duvidosa

  • Encontra-se a informação apenas de blogs que só replicam o texto ou de pessoas/ instituições duvidosas (até mesmo as difíceis de localizar na web).
  • Podem usar nomes de pessoas que não existem com cargos de renome ou órgãos e entidades fantasmas. Para ganhar força, usa-se um argumento de autoridade, alegando que uma instituição X ou pessoa Y defendem tal ideia. Cita-se, por exemplo, pessoas e órgãos de relevância na área do assunto para que o cérebro do leitor logo passe a aceitar aquele boato como verdadeiro.

Uma notícia que possui todas ou algumas dessas características não necessariamente é um boato, pois essas dicas são apenas para tornar o leitor atento a possíveis mentiras.

Por isso, pesquisar as fontes do conteúdo antes de compartilhá-lo é sempre fundamental, sempre lembrando que informação de qualidade vale muito.

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