A Seleção Brasileira foi eliminada nas quartas de final da Copa do Mundo de 2018 pela Bélgica, na última sexta-feira (6), e três dias depois é o melhor momento para falar da partida utilizando mais a razão do que a emoção.

O Brasil não foi mal na partida, apesar de, claramente, algumas de suas estrelas não estarem em seus melhores dias. No primeiro tempo, antes de tomar o primeiro gol, a seleção mandou uma bola na trave, com Thiago Silva.

Se a bola entra, a história poderia ter sido diferente. Embora, todos sabemos, o “se” não entra em campo. Aos 12 minutos, após cobrança de escanteio, a bola foi levemente desviada pelo zagueiro Kompany, bateu em Fernandinho e foi para o gol.

Aos 30, De Bruyne aproveitou contra-ataque iniciado por Lukaku e marcou o segundo gol belga no jogo. Aqui há um detalhe curioso, porque o lance nasceu em um escanteio para a seleção brasileira.

Normalmente, atacantes do porte de Lukaku vão para a aérea ajudar a defesa. Na Bélgica, isso não é necessário por conta da altura de seus volantes. Lukaku iniciou o contra-ataque que Fernandinho poderia ter matado com uma falta pouco depois da linha que separa o meio-campo.

Por falar em Fernandinho, sempre que a seleção brasileira é eliminada da Copa do Mundo, há a necessidade de se culpar alguém por isso.

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Neste ano, as críticas, nesse sentido, parecem menores do que nas Copas anteriores, mas há.

Fernandinho, certamente, foi o mais lembrado e criticado - até com lamentáveis ofensas racistas. Ele, de fato, não foi bem. Com Casemiro, suspenso por cartão amarelo, a situação poderia ter sido diferente. Mas daí a achar que Fernandinho é o único responsável pela derrota, é um pouco forçado.

Ele errou ao não fazer a falta.

Renato Augusto chutou para fora uma chance incrível – depois de ter feito o gol brasileiro aos 30 minutos do segundo tempo. Philippe Coutinho também teve oportunidade e desperdiçou.

Courtois defendeu plasticamente um chute de Neymar no final da partida. O goleiro belga, aliás, foi um dos destaques. O que mostra que a seleção brasileira, se não foi brilhante, criou chances e poderia ter vencido. O problema é que a Bélgica aproveitou as chances que criou.

Apesar de ser contra culpar um ou outro por uma derrota coletiva, algumas coisas eu teria feito diferente de Tite. Uma delas, aliás, seria não ter colocado Renato Augusto. Logo ele, que entrou e fez um gol.

Isso prova que ninguém está imune ao erro. A diferença é que eu opino de casa, na frente de um computador, Tite tem que tomar as decisões ali, na hora. Outra coisa que eu mudaria seria colocar Roberto Firmino no lugar de Gabriel Jesus nessa partida.

O menino Jesus, que tem apenas 21 anos, ajuda na marcação, ok, mas centroavante tem que fazer gol. Se é para ajudar na marcação, coloca mais um volante. Apesar disso, não há como garantir que com Firmino tudo seria diferente.

Portanto, as críticas fazem parte, pensar diferente faz parte, imaginar um time com nomes diferentes dos que Tite escolheu, também. O que não dá é para achar um culpado, é caçar bruxas. Todos perderam.

Nesse momento pós-Copa, a primeira decisão tomada pela CBF deveria ser a de manter Tite no comando da equipe. Pela primeira vez nas últimas quatro Copas, acredito que daqui para frente as coisas não precisam ser diferentes.

Não precisamos mudar tudo como fizemos em 2006, 2010 e 2014. Precisamos manter o trabalho que tem apenas duas derrotas em 26 partidas e aproveitamento de 82%. O torcedor brasileiro parece ter entendido isso. A maioria quer que o treinador fique.

Só para relembrar, depois da eliminação de 2006, o culpado foi o oba-oba na preparação para o Mundial. Com isso, decidiu que tudo precisaria mudar. Saiu o “liberal” Carlos Alberto Parreira e entrou o linha-dura Dunga.

Dunga foi muito bem, apesar das críticas que sempre recebeu. Acabou sendo eliminado da Copa do Mundo nas quartas de final pela Holanda. Curiosamente, no melhor jogo da seleção naquele Mundial. Ele, Felipe Melo e, para alguns, o goleiro Júlio César, ficaram marcados pela eliminação.

“Fora Dunga”. Tudo precisava mudar. Precisávamos voltar às nossas origens. O treinador foi criticado por deixar Neymar e Paulo Henrique Ganso de fora – o segundo ficou na lista de pré-convocados.

Entrou Mano Menezes. O treinador tinha como meta trabalhar com os garotos que seriam o futuro do Brasil. Os resultados tiraram Mano da seleção. Voltou Felipão, que ficou até a saída da Copa do Mundo de 2014. Nessa todos saíram como vilões nos 7 a 1, mas o treinador foi quem ficou mais marcado.

Dunga, que foi solução em 2006 e escorraçado em 2010, voltou, mas não chegou à segunda Copa do Mundo. Tite assumiu, a seleção evoluiu, chegou ao Mundial como uma das favoritas, mas ficou no meio do caminho.

Se Tite ficar, a seleção já começa os preparativos para a Copa do Mundo do Catar, em 2022, à frente. É isso que é necessário neste momento. Tite não é perfeito, seu trabalho pode ser criticado, mas há motivos para que ele fique.

Primeiro: ele fez um ótimo trabalho. Segundo: não há outro nome melhor do que ele. Agora, é olhar para a frente. Pela primeira vez nas últimas quatro Copas, precisamos mudar pouco.

Temos a base formada, novos nomes no mercado e, certamente, nos próximos quatro anos, o Futebol brasileiro vai revelar talentos que podem estar em campo em 2022. O Catar é logo ali e o hexa é possível.

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