Exatamente há 64 anos, o Brasil sofria uma séria crise política. O então Presidente Getúlio Vargas enfrentou acusações de corrupção em seu Governo, munição para seu opositor mais ferrenho, o jornalista Carlos Lacerda, da Tribuna da Imprensa, usando o meio de comunicação para, já naquela época pedir, o que o futuro chamaria de impeachment, de Vargas.

O Atentado da Rua Tonelero

Fiel a seu protetor, o chefe da Guarda de Segurança Presidencial, o gaúcho Gregório Fortunato, antigo peão de fazendas no Rio Grande do Sul, levou às últimas consequências a resposta da oposição de Lacerda.

No dia 5 de agosto de 1954, o jornalista sofreu o famoso Atentado da Rua Tonelero, sendo vítima de um tiro, que atingiu seu pé direito. O Major Rubem Vaz, que acompanhava Lacerda num carro no intuito de protege-lo, já que vinha sofrendo ameaças, não teve a mesma sorte e morreu alvejado por uma bala. Fortunato havia sido o mentor intelectual do crime do qual foi acusado posteriormente, e dois anos depois foi condenado a 25 anos de prisão.

O atentado gerou uma crise no Palácio do Catete, então sede do Governo Federal. Getúlio perguntara a Gregório se ele tinha algo a ver com o atentado, tendo uma negativa como resposta. O Presidente fora pressionado incessantemente pelos militares e pela imprensa, o que fez com que declarasse a célebre e corajosa frase “Só morto sairei do Catete” no dia 23 de agosto, publicada em letras garrafais no jornal Última Hora.

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Governo

Getúlio não tomara ciência da atitude de seu protegido, e depois, ficou profundamente decepcionado ao saber que Gregório havia adquirido uma fortuna acumulada totalmente incompatível com seu salário, e mais ainda quando as provas corruptas vieram a público. Gregório Fortunato foi morto em outubro de 1962 na Penitenciária Frei Caneca, assassinado por outro detento, o que seria considerado uma queima de arquivo na linguagem popular.

Entrando para a História eternamente

Devido á crise, no dia 24 de agosto Getúlio Vargas convocou todos os seus ministros para uma reunião urgente para debater e tentar solucionar a situação. Apesar da reunião estender-se madrugada adentro, às 4 horas da manhã nada havia sido resolvido. O Presidente então se recolheu, e às 8:30h da manhã suicidou-se com um tiro no coração.

Nas palavras de sua extensa carta-testamento, a qual Getúlio Vargas endereçava ao povo brasileiro, o presidente sentia-se sem forças para continuar.

A mesma conclui com as frases "Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história."

O Presidente havia dado fim à sua missão na Terra. Getúlio foi um Presidente popular, idolatrado pelo povo, que o apelidara carinhosamente de “o pai dos pobres”, e até hoje, pelas realizações notórias de seus mandatos, como a criação dos Correios, Petrobras, BNDES, a Consolidação das Leis do Trabalho, é considerado um dos maiores estadistas brasileiros de toda a história.

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