A Netflix se tornou o melhor lugar para se procurar algo novo (veja aqui 6 filmes imperdíveis) e nesse espírito de oxigenar o entretenimento de vídeo chegou recentemente à plataforma de streaming um novo seriado, Insaciável, que se destaca em um cenário onde a melhor série de todas está em tom de despedida (última temporada de Game of Thrones terá traições).

Acusada de gordofobia e vítima de uma campanha de veto fracassada, a série da Netflix vem contar a história de uma garota que emagrece rapidamente e passa de invisível e perseguida, a objeto de desejo e curiosidade no colegial, sendo que ela encontra nos concursos de beleza uma forma de tentar buscar sua validação e construção da nova identidade.

Inicialmente, a série foi vendida como sendo uma série de vingança, tipo Revenge, na qual a protagonista busca fazer todos que praticaram bullying com ela sofrer. Nada poderia ser mais equivocado.

O debate em torno de Insasciável, nova série da Netflix

Insaciável tem a discussão do bullying por obesidade sim, logo no seu primeiro episódio, mas logo se livra dessas amarras para falar sobre o que realmente quer.

Tudo e nada ao mesmo tempo. A variedade dos personagens é sabiamente explorada, e todos são vilões e heróis ao mesmo tempo, protagonistas e antagonistas dos diversos arcos narrativos. Assim, a humanidade é a verdadeira discussão e mote de Insaciável, que combina uma boa dose de bom humor, acidez e caricatura para desenhar e construir personagens com os quais o público possa imediatamente se identificar, seja por projeção ou antagonismo.

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Afinal, quem nunca sofreu bullying ou quis fazer os responsáveis pagar? E o melhor de tudo, não há vítimas absolutas.

Impossível não traçar um rápido paralelo com o já cult filme "Será que ele é?", no qual Kevin Kline passa por dúvidas sobre a própria sexualidade e desejos. Esse tom de dúvida, identidade em constante construção, negação e aceitação do que cada um é é uma das melhores tônicas de Insaciável, que discute a sexualidade de pelo menos meia dúzia de personagens, levando à construções e desconstruções excelentes e muito bem feitas.

O que começa como uma insinuação em certo ponto se torna óbvio e gritante, fazendo o expectador sentir a ansiedade do personagem, aumentando assim a carga dramática e o poder de comunicação da série.

Tudo isso se soma às definições de sucesso pessoal, no que faz brilhar os olhos dos personagens e nas motivações de cada um, que podem ser fúteis ou não, mas que são os propulsores para se escapar de uma sociedade altamente patriarcal e retrógrada como a do Sul dos Estados Unidos, onde se passa o excelente seriado.

Já dizia Machado de Assis que o menino é pai do homem. Agora, se o menino for insaciável, a saciedade será buscada através de comida, poder, sexo ou fama. E quem não é insaciável?

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