Praticar a ética ambiental para preservar a Natureza é um ideal popular atualmente, mas é hora de recalibrar alguns conceitos. Vejamos o seguinte: neste planeta temos diversos tipos de ecossistemas, como a tundra, a floresta de coníferas, tropicais e temperadas, as savanas, os desertos, os ambientes marinhos etc. Temos também uma diversificação de tipos de clima, como o clima equatorial, o mediterrâneo, o polar ou o semiárido, possuímos extensões continentais.

Em cada parte do Mundo, em cada extensão de terra, água ou ar, a vida está presente. Aliás, o Brasil é referência na biodiversidade mundial. E considerando tudo isto, pensando em como são diferentes entre si, como entender toda esta complexidade de relações e interações que ocorrem na natureza?

Pensando nestas questões foi desenvolvido ao longo dos anos o estudo da Biodiversidade, buscando respostas que facilitassem o entendimento de como a natureza funciona, sendo definida por Franco como:

“[...] a variabilidade entre os seres vivos de todas as origens, a terrestre, a marinha e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos dos quais fazem parte. [...] incluindo a variedade genética dentro das populações e espécies, a variedade de espécies da flora, da fauna, de fungos microscópicos e de microrganismos, a variedade de funções ecológicas desempenhadas pelos organismos nos ecossistemas; e a variedade de comunidades, habitats e ecossistemas formados pelos organismos”.

Portanto, estudar a biodiversidade pelo olhar humano não é apenas sobre aprender como a vida é diversificada, mas sobre como toda vida diversa depende de outra vida e do meio.

Por isso, em alguns casos, torna-se impossível explicar o processo natural. Além disto, outro fator relevante é o conceito de Bioética, que segundo Brauner e Durante, é a:

“[...] disciplina que estuda os aspectos éticos das práticas dos profissionais das Geociências, Ciências Biológicas, Ciências da Saúde e Ciências Humanas sobre os organismos vivos, humanos ou não humanos, e seus impactos sobre os ecossistemas”.

Entretanto, o ser humano também sofre diversificação em muitas esferas: possuímos diferenças culturais, políticas, religiosas, étnicas, geográficas e de experiências de vida.

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Natureza Ciência

Esta pluralidade faz com que cada indivíduo tenha sua própria forma de pensar, sua própria reflexão filosófica, o que torna difícil formular uma visão única sobre o que é correto. Não é diferente com as questões ambientais, onde isto afeta a definição de Certo X Errado para as questões bioéticas.

Pensando em como a vida é complexa, diferente e divergente, como fazer valer um conceito de Bioética para todo o globo de maneira eficaz, equitativa e justa? Este é o dilema atual do panorama global da biodiversidade e bioética.

Soluções para o problema

Para tentar resolver esta situação devemos refletir em algumas questões: a Bioética, afinal, é destinada a quem? Será que as leis bioéticas não estão centradas apenas no ser humano, sendo antropocêntrica? Não deveria haver uma bioética que, verdadeiramente, abrangesse também os demais seres vivos e a natureza? Aliás, é possível formular uma ética tal?

A Bioética atual necessita ser biocêntrica, e não antropocêntrica.

Como Belmont defendia em sua época, é preciso ampliar os princípios de autonomia, de beneficência e de justiça. A bioética no futuro pode acabar conduzida a um sujeito que não existe, não reivindica e não tem seus direitos lesados. A natureza aguarda enquanto repensamos.

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