Um trágico incêndio, que teve início por volta das 19h30 deste último domingo dia 02, atingiu o Museu Nacional que fica localizado na Quinta da Boa Vista, no bairro São Cristóvão, Zona Norte do Rio de Janeiro.

O Museu Nacional é vinculado ao Ministério da Educação e é a mais antiga instituição científica do Brasil. Em seu acervo histórico era possível encontrar peças datadas da época do Brasil Império, múmias, fósseis, entre eles do Dinossauro Dino Prata e de Luzia, fóssil humano mais antigo encontrado no Brasil, além disso, haviam registros históricos e coleções de arte da Imperatriz Teresa Cristina.

Na segunda-feira (3), manifestantes deram um abraço simbólico no museu para protestar contra o descaso de governantes com a instituição que vinha passando por várias dificuldades financeiras. Recentemente o museu havia feito uma “vaquinha virtual” com o objetivo de arrecadar recursos para reabrir a sala onde ficava a instalação do dinossauro Dino Prata.

A falta de recursos vem de longa data, em 2015, por exemplo, o Museu Nacional chegou a fechar as portas em consequência da falta de repasses do Governo federal. Na época o funcionamento foi prejudicado por falta de pagamento aos funcionários.

Retrato de um país com problemas

Nessas primeiras 48 horas após o incêndio que destruiu 90% do acervo do Museu o sentimento ainda é de luto. De acordo com pesquisadores, estudantes e visitantes do Museu a perda é incalculável. No incêndio grande parte da história do Brasil e do mundo foram perdidos. O que ficou no lugar são questionamentos com relação ao descaso com a cultura do país. O incêndio apenas retrata como assuntos relacionados a educação e cultura são tratados no Brasil, com morosidade, burocracias infinitas e pouca vontade em preservar e melhorar as condições de institutos que guardam a nossa história e cultura.

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Infelizmente essa não é a primeira vez que algo semelhante acontece no Brasil com instituições ligadas a cultura. A BBC News Brasil fez um levantamento de acontecimentos parecidos como esse e em um período de 10 anos e os números impressionam. Como os incêndios no Memorial da América Latina em 2013, no Centro Cultural Liceu das Artes e Ofícios em 2014, no Museu da Língua Portuguesa em 2015 e na Cinemateca Brasileira em 2016.

Podemos perceber que o descaso com nossa cultura se estende a longo tempo. O descaso está presente na burocracia para liberação de verbas, na má administração de recursos, na priorização de projetos que interessa somente a uns poucos. Em quanto isso partes de nossa história e cultura estão sendo perdidas para o fogo da negligência.

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