Em todo ano eleitoral, conforme a data do pleito vai se aproximando, os institutos de pesquisa começam a dar suas previsões sobre o que pode acontecer nas urnas. Em 2018 não está sendo diferente, e a cada semana, novos prognósticos compilados por instituições que fazem este tipo de análise são amplamente divulgados na mídia – como é o caso da última pesquisa do Ibope, tornada pública na segunda-feira (24).

Segundo os dados propagados pelo instituto – que é provavelmente o mais conhecido do Brasil, e um dos maiores da América Latina –, os candidatos à presidência da República mais bem colocados são Jair Bolsonaro (PSL), que conta atualmente com 28% das intenções de voto, seguido por Fernando Haddad (PT) com 22%, Ciro Gomes (PDT) com 11%, Geraldo Alckmin (PSDB) com 8% e Marina Silva (REDE), que possui 5%.

O Ibope revelou que, para a pesquisa citada acima, entrevistou 2.506 pessoas, e que a chamada "margem de erro" ou "grau de confiança" da análise é de 95% – ou seja, a pesquisa possui 95% de chance de representar a realidade –, e que existe uma margem de erro de 2% nos dados (o que quer dizer que os números podem oscilar 2% tanto para menos como para mais).

Entretanto, mesmo com todos estes índices de confiabilidade apresentados, vale ressaltar que em certas ocasiões o instituto cometeu erros consideráveis, e alguns dos exemplos mais notórios ocorreram nas Eleições gerais de 2014, como será mostrado a seguir.

Não perca as últimas notícias!
Clique no tema que mais te interessa. Vamos te manter atualizado com todas as últimas novidades que você não deve perder.
Eleições

Ibope: mais erros do que acertos em 2014

Em 2014, as eleições para presidente, senadores, deputados e governadores se deu no dia 5 de outubro, e um levantamento feito naquela época pelo site "Olho Neles" – que fornece uma coletânea de dados a respeito de como parlamentares gastam dinheiro público – divulgado em detalhes na página virtual do jornal mineiro "O Tempo" revelou que o Ibope mais errou do que acertou os resultados das urnas.

De fato, a discrepância chegou a ser impressionante, uma vez que 66,66% (ou dois terços) das previsões do instituto se mostraram incorretas.

Como exemplo, podemos relembrar o que aconteceu, inclusive, nas projeções para o cargo de presidente. Em quatro de outubro (apenas um dia antes da votação do primeiro turno), o Ibope apontava Dilma Rousseff (PT) com 46% dos votos válidos – ou seja, excluindo-se os votos brancos e nulos –, ao passo que Aécio Neves (PSDB) teria 27% e Marina Silva (que estava no PSB) contaria com 24%.

A margem de erro da pesquisa citada acima era de 2%, mas as urnas mostraram outro cenário: Dilma obteve 41,59% dos votos (o que se traduz em um índice de 2,41% abaixo da margem mínima aferida para ela, que seria de 44%), Aécio somou 33,55% (4,55% acima da margem máxima projetada de 29%) e Marina ficou com 21,32% (0,68% abaixo da margem mínima prevista).

Existem outros exemplos de erros notáveis que ocorreram naquela mesma eleição ainda no primeiro turno, mas para os cargos de governadores:

  • No Estado do Amazonas, em dois de outubro, o Ibope previa que Eduardo Braga, do PMDB, obteria 51% dos votos, e José Melo, do PROS, 35%, com margem de erro de três pontos. Resultado das urnas: Braga ficou com 43,19%, e Melo conseguiu 43,04%.
  • Na Bahia, em quatro de outubro, o instituto de pesquisas afirmava que, com uma margem de erro de dois pontos, Paulo Souto, do DEM, e Rui Costa, do PT, estavam empatados com 46% cada. A apuração revelou que Souto angariou 37,39% dos votos, e Rui Costa atingiu a marca de 54,53%.

Fazendo um resumo dos resultados, podemos dizer que o Ibope acertou as previsões dentro da sua margem de erro para os cargos de governadores no Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe. Em todas as outras unidades federativas, as previsões se mostraram erradas.

O que se pode extrair dessa análise

As pesquisas de intenção de voto podem sim ser ferramentas consideradas pelos eleitores, mas não se pode orientar um voto usando-se apenas o critério de que um determinado candidato ou candidata está crescendo nas projeções apresentadas, ou até mesmo se ele ou ela está liderando algum cenário.

Cada voto deve ser consciente, cada pessoa deve entender que sua escolha pode impactar sim no rumo que a nação deve seguir. Portanto, pesquise a vida de seu candidato(a), busque informações sobre envolvimentos dele(a) em corrupção, verifique sua atuação em mandatos anteriores – ou seja, quanto maior for o número de critérios levados em consideração, mais racional será a escolha de cada um.

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo