O Brasil tem encarado um novo problema no âmbito educacional e econômico: o crescente índice de doutores desempregados. No início dos anos 2000, o governo brasileiro começou a ampliar seu investimento na área universitária, a fim de aumentar o número de brasileiros diplomados e desenvolver a ciência no país. Entretanto, os dados mostram que todo esse investimento não foi planejado a longo prazo, já que os recém doutores ficam perdidos no mercado de trabalho ao conquistar o seu tão sacrificado diploma de doutor.

A estimativa de valores para bolsa de doutorado varia entre R$ 2000,00 a R$ 2200,00, de acordo com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A duras penas, os estudantes sobrevivem apenas com esse valor ao longo dos 4 anos de doutorado, visto que uma das exigências do contrato é a dedicação exclusiva, isto é: não é permitido ao doutorando o trabalho de qualquer natureza e nem o acúmulo de outras bolsas de pesquisa.

Afastado dos âmbitos profissionais, ao se formarem, os doutores encaram as muitas exigências do mercado de trabalho, sendo a principal a experiência profissional. Sem muitas alternativas, encaram as poucas vagas e concorridas vagas de concurso público para trabalharem enquanto professores universitários. Ou ainda, disputam as raras vagas de pós-doutoramento que lhes geram uma renda de R$ 3700,00 a R$ 4100,00.

Há vários questionamentos que se possa fazer, um deles é: por que o governo os abandonou depois de tanto dinheiro investido ao longo dessa trajetória?

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Problemas emocionais adquiridos ao longo da trajetória acadêmica

Há várias pesquisas que apontam o desenvolvimento de depressão e ansiedade ao longo do trajeto acadêmico – tanto no mestrado quanto no doutorado. As cobranças tanto pessoais como externas para obter um currículo lattes impecável, põem os estudantes em situações de stress no alcance da perfeição.

Além disso, lidar com prazos na entrega da dissertação ou tese, encarar a burocracia da própria universidade ou ainda um possível relacionamento difícil com o orientador, e o futuro incerto pós-formado, adoecem muitos mestrandos e doutorandos ao longo da jornada acadêmica.

Só no ano passado, foram mais de 21.600 novos doutores no Brasil, e muitos deles encontraram-se já cansados da jornada acadêmica que encararam ao longo desses anos e questionam-se acerca do seu futuro: valeu a pena essa jornada? Hoje muitos são incisivos: títulos não pagam aluguel. De acordo com as pesquisas, desde 2016 a taxa média de empregos ocupados por recém-doutores é de 69%. Muitos outros estão em subempregos para manter a sua sobrevivência.

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