Eles se beijam, se abraçam, ficam agarradinhos um ao outro, demonstram afeto e carinho pelo mesmo gênero e que também vão além do toque passando para interações intimas, tudo sem cópula. Ao sair do limbo, a atual visibilidade provoca reflexões: afinal o que é esse perfil denominado g-zero-y (g0y) que se permite a esse tipo de intimidade erótica e ao mesmo tempo possui aversão à penetração anal masculina.

Trata-se de um gay parcial? Hetero liberal? Uma nova identidade? Vamos buscar entender melhor essas questões.

O movimento g0y, entre outras coisas, é pró masculinidade, amor, amizade, mas como uma das partes mais polêmicas, defende também que o contato erótico entre dois homens nem sempre é gay. O contato pode ser apenas um contato homoafetivo e que não traga perigos para a heterossexualidade. Por causa disso, provoca na população muitas dúvidas, especialmente dúvidas conceituais.

Cresce o número de adeptos

O site Heterogoy (brasileiro) é o principal propulsor da filosofia g0y na América Latina, junto com o website g0ys.org (americano) e o g0y.eu (russo), atualmente são os ambientes virtuais mais acessados e que difundem os conceitos da homoafetividade mundialmente. Há vários grupos g-zero-y (g0y) nas redes sociais, o grupo Espaço g0y e Apoiadores no Facebook, por exemplo, hoje conta com mais três mil membros e a página do movimento, na mesma rede social, ultrapassa mais de duas mil curtidas e dezenas de milhares de seguidores.

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Opinião

Além das redes sociais e da internet, existe desde 2017, na cidade de São Paulo, a Confraria Heterogoy de SP, que organiza encontros em locais itinerantes e alugados para esse fim.

Recentemente, surgiu a noticia que conforme divulgado também aqui no Blasting News, os adeptos desse movimento terão um pub g0y, um local para interação aberto exclusivamente para eles e que funcionará semanalmente no centro da capital.

No entanto, nota-se que no Brasil, apesar da filosofia G-zero-Y crescer e ganhar espaço, a população ainda se pergunta: eles são gays ou não são gays? Segundo artigo da psicologia denominado "Género y identidad masculina en el nuevo milenio", publicado em 2017, na Revista Psicología, Conocimiento y Sociedad, a resposta seria clara: Os g0ys não são gays. Ou seja, segundo o exposto nesse artigo os g0ys, pelo seu lado comportamental, não poderiam ser considerados homossexuais, seriam sim considerados homoafetivos e não necessariamente bissexuais plenos.

São gays ou não são gays?

O g0y é um homem que interage eroticamente com outros homens. Se é isso, como não ser gay? Faz sentido essa posição aparentemente intermediária? Parece querer ficar no meio, não deseja ser reto nos moldes convencionais e nem ser gay nos moldes da cultura gay. Fuga ou nova identidade?

Entre famosos nota-se em vídeos dispostos no YouTube inclusive celebridades como o Pe Fábio de Melo, Dr.

Olavo de Carvalho e outros personagens, defendendo a ideia de que o homoafetivo e homossexual masculino são instâncias diferenciadas. Fomos também buscar a visão de um especialista.

Segundo Luis Aboim, 42, psicólogo e terapeuta cognitivista, o heteroflexível (outro nome para o comportamento heterogoy) seria apenas um heterossexual que não é purista ou normativo. A heteroflexibilidade não combina com a visão heteronormativa comum da nossa cultura ocidental, mas é totalmente possível e viável, afirma Aboim.

Nessa visão do perfil psicológico existiria o heteropurista mais tradicional e o heteroflexível. Aboim afirma contundentemente que “ambos são heterossexuais” e completa: “a heteroflexibilidade pode ser uma orientação do desejo erótico ou um comportamento sexual situacional”. Como comportamento situacional, cita as brincadeiras muito comum entre adolescentes e que depois desaparecem na vida adulta. Para Luis Aboim, a heteroflexibilidade adulta se caracteriza pela atividade homossexual limitada em uma orientação fundamentalmente heterossexual. É caracterizada como predominantemente heterossexual e às vezes pode ser chamada de bicuriosidade.

Tendências diferentes convivendo em paz

Outro aspecto que chama a atenção é que o movimento g0y também apregoa a paz e a harmonia com o suposto fim da dicotomia entre heteros e homos. Segundo os adeptos, a não prática da cópula seria capaz de unir todos em uma mesma bandeira, pelas afinidades que seriam maiores que as diferenças quanto às inclinações sexuais originais. Quase uma utopia, mas que é defendida em diversos grupos de redes sociais.

Quanto ao g0y exclusivamente homoafetivo (também chamado de gouine masculino), Aboim defende que: "na história contemporânea, todos os rótulos do mundo homo masculino giram em torno do ato anal. Nesse cenário, tem-se o gay ativo –aquele que apenas penetra; o gay passivo –aquele que é penetrado exclusivamente; o gay versátil –que assume os dois papéis; e tem-se o gay zero –o que não faz nada nesse sentido e que supostamente quer apenas um contato de pele; ou seja, o g0y ( g-zero-y)".

Luis Aboim, argumenta ainda: “Para se observar a contradição lógica e talvez o absurdo dessa afirmação, é necessário inverter. Se alguém declarar: Eu sou hetero, só que sou hetero-zero, não copulo com mulher! Faz sentido? Nenhum sentido. Portanto se um hetero-zero não é hetero, um gay-zero também não é gay. E isso é somente uma questão de raciocínio justo, não homofóbico e não machista. O que vale para um tem que valer para o outro”. Dessa forma, seja como hetero ou seja como homo, ambos os tipos de g0ys em prol da diversidade, possuem o mesmo direito de existir e de ser feliz, tais como demais estratos da sexualidade humana.

Olhando-se dessa forma os g0ys não seriam gays por dois ângulos. Primeiro na perspectiva homo, como dito em parágrafo anterior, agrega-se ao conceito g0y, os gays zero ou gouines masculinos, que seriam aqueles que na interação íntima possuem a atitude do zero anal e constituem um estrato diferenciado do homoafetivo. Do outro lado, na perspectiva da orientação hetero/bi soft, tem-se o "heterogoy", que apresenta um comportamento heteroflexível, mas que não abandona o seu comportamento heterossexual original, apenas o flexibiliza dentre de alguns limites.

Enquanto estrato adicional da diversidade erótica a bandeira do movimento g0y traz três tons de azul (cor masculina) junto com o branco (da união e da paz). Segundo o website Heterogoy o significado é que a cor azul que representa o masculino possui variações. A bandeira com diferentes tons de azul, traz a consciência de que o azul pode até ter gradações, mas deve continuar azul. Dessa forma traz o slogan de que os homens são profundamente unidos e que g0ys permanecem homens íntegros, guerreiros e pacifistas, coloca o site.

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