Hoje as pessoas são criadas com a idealização negativa da tristeza e, por diversos motivos, acabam fugindo de sentimentos negativos, como tristeza, decepção e frustração, especialmente por acreditarmos que esses são sentimentos ruins.

Mas o conhecimento é desenvolvido através do questionamento, deste modo, é preciso se questionar quanto ao que seria sentimentos ruins, se esses determinados sentimentos ruins não são ou não necessários e o que se deve fazer diante desses sentimentos ruins.

É preciso pensar qualitativamente se esses sentimentos ruins não são extremamente necessários para o desenvolvimento.

Pais protetores

É preciso se questionar se o fato de privar os filhos das decepções e frustrações seria realmente um gesto de amor. Pensando qualitativamente é possível compreender o quanto que, mesmo com boa intenção, privar os filhos das decepções e frustrações não ajudará, pelo contrário, essa privação só faz com que os filhos cresçam com a ilusão de um mundo perfeito e pronto para dar o que querem e quando querem.

O mundo, no entanto, não é assim. Quando os filhos se deparam com as situações de estresse, tristeza, decepção e frustração e vêem que os pais não estão ali para resolver, percebem que não são capazes de lidar com a situação e enfrentam como o fim, tornando as dores e sofrimentos insuportáveis, pois não são capazes encontrar as estratégias necessárias para lidar e sair da situação.

É preciso entender que na infância, quando os filhos enfrentam as frustrações e decepções, eles têm o vínculo com os pais para acolher e ajudar a passar por aquela situação de maneira mais saudável mas, após a infância, aprender a passar por essa situação fica cada vez mais difícil, especialmente sem o acolhimento dos pais e por estarem mais relutantes a buscarem ajuda.

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Saúde

Quando os filhos não são educados emocionalmente na infância, tendem a reagir de maneira destrutiva frente a uma decepção. Quando não aprendem a enfrentar e lidar qualitativamente com os problemas na infância, tendem a culpar o outro por não ter feito o que acreditam que deveria ser feito e, deste modo, não percebem que não é responsabilidade do outro. Ficam cegos diante da exagerada carga de expectativas que depositam nos outros, acreditando fielmente de que os outros deveriam sim suprir essas expectativas.

Domar as expectativas

Quanto mais deixar as expectativas crescerem, mais estarão alimentando a ilusão de que a culpa é dos outros e, assim prolongando e potencializando o sofrimento, com a ilusão de que estão sendo enganados. Somente com a capacidade de pensar qualitativamente, serão capazes de enxergar que o engano vem das próprias atitudes e não dos outros.

Se uma pessoa é convidada para uma festa que disseram que seria ótima, ela vai com a expectativas de que a festa realmente será boa.

No entanto, se a festa não for lá essas coisas, talvez ela fique decepcionada. Quanto mais expectativa coloca-se na festa, maior será a decepção.

A primeira reação será com o princípio do “fui enganado”, mas se for capaz de pensar qualitativamente, perceberá que a culpa não está diretamente ligada no outro, no que o outro disse, mas sim no que a pessoa acredita, na realidade em que é criada.

Como por exemplo nos relacionamentos amorosos, quando alguém se apaixona, a vida torna-se colorida, sem questionar e sem ver as coisas como são.

Os apaixonados acabam projetando no outro aquilo que querem e de certa forma confundem a ilusão da paixão com a realidade. Mas quando a paixão passa e percebem realmente quem o outro é de verdade, vem a decepção e o sentimento de ter sido enganado. É preciso que cada pessoa se responsabilize por suas falsas expectativas.

Geralmente as pessoas preferem sempre o caminho mais fácil e agradável e potencializam algumas atitudes, pois é bem mais confortável crer que as coisas são como elas gostariam que fossem e, deste modo, aquele “bom” amigo ou aquela “boa” amiga, que de repente mostra um lado que não agrada, e acaba machucando, fazendo com que essa pessoa sofra e se decepcione, está ligado ao fato dessa pessoa estar se iludindo com expectativas que ela criam, acabando assim com os respectivos relacionamentos.

Quando as pessoas se frustam, como por exemplo ao não passarem em um determinado concurso depois de se dedicar por horas e horas de estudos, a dor e o sofrimento da frustração, em muitos casos, faz com que a pessoa desista por se achar incapaz.

Em alguns casos é difícil enxergar algo de positivo diante da frustração ou decepção, mas essas situações são oportunidade para desenvolver a capacidade de pensar qualitativamente. Os pensamentos que invadem a mente, como a tristeza, a dor, o medo, chegam com força e muitas vezes impedem a pessoa de enxergar os caminhos que se abrem diante da decepção e frustração.

A inteligência emocional é a chave para desenvolver a capacidade de lidar com a frustração ou decepção e, assim, desfrutar de caminhos que levam a uma vida mais saudável emocionalmente.

Diante de uma decepção, é preciso permitir sentir dor e tristeza, aceitar a frustração, e pensar com qualidade todos os pensamentos que invadem a mente. Por mais desagradável que possa ser essa situação, irá proporcionar crescimento, libertando das amarras, dos medos, das angústias e da fuga que impede as pessoas de entrarem em contato com a realidade da situação e livrar da prisão da ilusão.

O conhecimento vem através do enfrentamento do “não saber”, de modo que o saber resulte da difícil tarefa do desenvolvimento e do aprendizado com as experiências da vida, as boas e, principalmente, as más.

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