No Brasil, todas as gamas de preconceito são praticadas. Os mais em voga são os preconceitos racial e sexual, mas esquecem dos detentos, ou dos ex-detentos. Uma parcela significativa da população julga que grande parte dos detentos têm que ser tratados como escória, que não basta a perda da liberdade, mas também têm que perder seus direitos básicos, até mesmo o de alimentação e higiene. Muitas vezes não acreditam na reabilitação, nem mesmo de uma pequena porcentagem.

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Uma das principais dificuldades que um ex-presidiário enfrenta quando se trata de integrar-se à sociedade é o rótulo que lhes é atribuído. As casas de detenção brasileiras infelizmente não oferecem oportunidades para que os reclusos interessados e realmente arrependidos de seus erros queiram se reabilitar. Sim, eles existem! Parte deles são oriundos de famílias de boa formação, sem antecedentes criminais anteriores, e que infelizmente caíram no erro por más influências, precipitação, ingenuidade, inconsequência, ou seja, uma série de fatos que não poderiam defini-los como "criminosos de berço".

Segundo estimativa recente, 64% da população carcerária do Brasil é jovem, negra e de baixa escolaridade, ou seja, fruto da falta de oportunidades, e, consequentemente, da marginalização.

Investimento na reabilitação do ser humano

Certamente, disponibilizando seu tempo de um modo útil, os tendenciosos à reabilitação poderiam sair do cumprimento da pena prontos para a reintegração à sociedade de uma forma digna. Seria um investimento no ser humano.

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As opções de reabilitação variariam de acordo com as instalações e duração da sentença. Assim como a causa do encarceramento varia de acordo com o preso, o tipo de reabilitação de um detento também pode variar.Alguns poderiam beneficiar-se de vários tipos de reabilitação. Alguns dos tipos mais gratificantes de reabilitação poderiam ser:

1) Programas educacionais

Programas de Educação ajudariam a dar uma segunda chance aos internos e diminuiria a possibilidade de cometer futuros crimes.

O conhecimento no estudos de línguas e informática, por exemplo, ajudaria a passar o tempo recluso proveitosamente, mas principalmente na aquisição de conhecimento e preparo para o retorno do mercado do trabalho após cumprimento da pena, sem contar a auto-estima que seria bem trabalhada, por consequência;

2) Aconselhamento de profissionais

Os profissionais da área da justiça, psicologia e sociologia palestrariam nas casas de detenção, abordando temas vocacionais, sociais, jurídicos e pessoais.

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As conversas também poderiam ser em pequenos grupos, ou mesmo particulares. O objetivo seria combater a depressão adquirida durante o período recluso, orientações e aconselhamentos jurídicos, convivência no meio social e profissional, até mesmo técnicas de higiene corporal e mental. Para conter os gastos, esses profissionais poderiam ser voluntários nos projetos afins. O aproveitamento desses aconselhamentos poderia ser um passo definitivo para a reabilitação;

3) Trabalhando o bem-estar

O bem-estar físico e mental traz a auto-estima durante a sentença.

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Exercícios que trabalhassem a mente, como ioga, tai-chi, certos esportes, aulas de culinária e artesanato diminuiriam a pressão sentida, o stress e a revolta de muitos pelo fato de terem perdido sua liberdade;

4) Regeneração comunitária

A reabilitação deverá ter continuidade pelo resto da vida. O retorno à sociedade e envolvimento com as comunidades ajudam no processo reabilitatório. Seria um reajuste na vida, participando de entidades religiosas e grupos de voluntariado e sociais. Seria como um sistema de suporte que o detento construiria, levando-o a interações mais positivas e com oportunidades nulas de comportamento criminoso. Além disso, as relações construídas dentro desses grupos poderão levar a oportunidades de emprego - um passo crucial para a reentrada na sociedade e a eliminação da reincidência.

Os gastos/investimentos com o projeto

A grande questão seria os gastos para esse projeto. Um combate forte à corrupção, aos desvios de verbas e o dinheiro empregado adequadamente poderiam ser algumas soluções. Patrocínio de empresários e apoio de voluntários seriam opções plausíveis.

É necessário que grupos sérios debatam essas questões publicamente, porque também combateria e preveniria a onda criminosa que assola nosso país, mas o objetivo principal visa o resultado prazeroso da recuperação de seres humanos, fazendo com que os desacreditados na reabilitação mudem totalmente de Opinião.

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