O que é muito discutido quando se fala em previdência social brasileira é o rombo nos cofres públicos gerado pelo sistema desequilibrado de contribuição versus população beneficiada, esta principalmente composta por aposentados e pensionistas.

O ponto que mais preocupa os críticos da crise previdenciária é o envelhecimento da população. De acordo com estimativa do IBGE, o Brasil tem atualmente 208 milhões de habitantes e 19,2 milhões de pessoas com mais de 65 anos e isso representa 9,2% dos brasileiros.

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Também conforme o estudo, o país pode ter 57,1 milhões de idosos em 2060 com expectativa de vida de 77,9 anos para homens e 84,23 anos para mulheres, representando 25,5% do total de habitantes.

É um salto expressivo no número de idosos em curto prazo e uma mudança no cenário brasileiro que ainda não foi vivenciada. O país tem 64,9% de População Economicamente Ativa (PEA) em 2018 e na projeção de 2060 terá 59,8%. Hoje, para cada 100 pessoas ativas há 21 aposentados e em 2060 para os mesmos 100, 63 dependerão de benefício previdenciário para viver.

Para manter o sistema de benefícios da seguridade social - Saúde, Assistência Social e Previdência - em 2018, a despesa orçamentária fixada foi de R$ 997 bilhões e a receita estimada ficou na casa dos R$ 707 bilhões, ou seja, deficitária e sem projeção para melhoras nesse quadro, pois o país enfrenta uma das maiores recessões econômicas da história em meio a escândalos de corrupção.

Infelizmente não é apenas o risco orçamentário que ronda o INSS.

Também há na autarquia um déficit de funcionários que assusta e pode entrar em colapso. O caos pode ser instalado assim que for anunciada a reforma previdenciária, pois dos 33133 servidores ativos, 11369 estão aptos a se aposentar. Não há atratividade nas propostas de manutenção desses servidores por abono de permanência no serviço público, fora a inevitável mudança de patamar etário e de tempo de contribuição que tanto no Regime Geral de Previdência Social (RGPS) quanto no Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) ocorrerá em breve aumentando os motivos para retirada.

No último concurso do INSS cujo edital é de 2015 e com provas realizadas em 2016, houve mais de um milhão de inscritos para o cargo de Técnico do Seguro Social. Esse número é bastante desproporcional aos cargos oferecidos: 800. O concurso foi homologado em agosto de 2016 e registrava 2580 aprovados para as já mencionadas 800 vagas e já contava com déficit de 3900 técnicos. Hoje o INSS conta com um déficit de 10259 servidores de nível médio segundo estudo do órgão.

Os técnicos são responsáveis diretos pelo atendimento nas agências do INSS além de fazer tramitar os processos com as solicitações da população.

Concurso em 2019

Há solicitações populares e da própria autarquia por novo concurso [VIDEO]. Não é apenas o cargo de Técnico do Seguro Social que apresenta vagas mas também muitas áreas no órgão precisam de pessoal. O INSS pediu ao Ministério do Planejamento maior celeridade no processo de autorização de concurso público com mais de 17 mil vagas dentre variadas especialidades e níveis de conhecimento, mas com o novo governo que se apresentará em janeiro de 2019 é bem provável que o clamor para preenchimento desse déficit não seja atendido. Focado em diminuir os gastos públicos e aumentar o atendimento robotizado, a população poderá sofrer ainda mais.

Olhando pelo lado positivo, aos concorrentes às vagas é recomendado que estudem de antemão, pois o certame de 2015 foi anunciado em meio às comemorações de Natal e Réveillon daquele ano. A banca foi o CESPE e a prova contou com 120 questões de padrão de resposta "certo" ou "errado", cujo o item não conforme ao gabarito era anulado. Para a surpresa dos candidatos, a prova de nível médio cobrou de forma mais abrangente os conteúdos sobre assistência social (lei 8742/93 - LOAS), algo inédito no perfil de cobrança. Nota de corte na classificação foi elevada por dois motivos: a alta concorrência e o prazo entre a publicação do edital e a data da prova que foi de cinco meses.