Com a saída de Sergio Moro do ministério da Justiça e Segurança Pública, muito tem se questionado como ficarão as investigações sobre os filhos e aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com um novo nome no lugar de Moro e também com um novo nome no comando da Polícia Federal (PF). Este foi o mote de uma reportagem do site BBC News Brasil.

Sergio Moro afirmou que sua saída do ministério da Justiça foi por causa da pressão exercida pelo presidente Bolsonaro na PF. Moro afirmou que o presidente chegou a pedir informações sobre investigações que estão em andamento, o que ameaça a autonomia da Polícia Federal.

O líder do Executivo negou que tenha tentado fazer qualquer interferência na corporação. Bolsonaro afirmou que nunca pediu para que seu ex-ministro mandasse que a PF blindasse o presidente, por outro lado, Bolsonaro assumiu que pediu informações sobre atividades da PF.

'E daí?'

Esta foi a pergunta que Bolsonaro fez no último domingo (26) ao responder em uma rede social sobre a relação de amizade entre Alexandre Ramagem e os filhos do presidente da República. Ramagem, que atualmente é o diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) está sendo apontado como o possível sucessor de Maurício Valeixo, então diretor-geral da Polícia Federal. Valeixo foi exonerado na última sexta-feira (24).

Polícia de Estado

A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) representa quase 15 mil agentes da PF de todo o Brasil, a organização divulgou uma nota em que afirma que a corporação não é uma polícia do Governo, e sim do Estado, e acredita que a corporação não deve ser afetada por interferências políticas.

Luís Antônio Boudens, o presidente da Fenapef, declarou à BBC News Brasil que a federação vai ficar atenta às possíveis tentativas de interferência política na corporação.

Boudens não nega que seja prerrogativa do presidente da República escolher o diretor-geral da Polícia Federal, porém afirmou que está se criando um estado de alerta quando se menciona relação de amizade.

Dentre os casos que pessoas próximas ao chefe do Executivo e que têm alguma relação com a PF estão: a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) das fake news, que envolve dois dos filhos do presidente, o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL).

Mais fake news

O inquérito das fake news é a investigação que o Supremo Tribunal Federal (STF) mandou abrir para apurar ataques aos ministros do Supremo e também membros do Congresso, e novamente estão envolvidos os nomes de Carlos e Eduardo.

AI-5

O ministro do STF Alexandre de Moraes autorizou que fosse aberto o inquérito para investigar as manifestações antidemocráticas que foram realizadas no dia 19 de abril.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, foi quem fez o pedido para investigar quem financiou tais manifestações que pediam a volta do AI-5 e fechamento do Congresso e do STF. Embora o presidente Bolsonaro estivesse presente nas manifestações, ele não está sendo investigado.

Onde está o Queiroz?

Jair Bolsonaro anunciou em agosto do ano passado que seria feita a troca de superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, saindo Ricardo Saadi e entrando Carlos Henrique Oliveira. Para justificar esta troca, Bolsonaro alegou problemas de "gestão e produtividade", mas a Polícia Federal negou qualquer problema na gestão de Saadi.

Mesmo não havendo qualquer ingerência do superintendente da PF do Rio de Janeiro que envolvesse o clã Bolsonaro, muitos acreditam que o presidente fez esta troca porque o trabalho de Saadi estava sintonizado com autoridades que trabalhavam no Caso Queiroz, que investiga o ex-assessor do filho de Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, e amigo de longa data do próprio presidente da República.

Queiroz passou a ser investigado em 2018 quando o outrora Coaf, agora UIF (Unidade de Inteligência Financeira) identificou operações suspeitas que envolvia o nome de Flávio.

Quem mandou matar Bolsonaro?

Quando se pronunciou contestando as acusações feitas por Sergio Moro, Bolsonaro afirmou que o ex-ministro estava mais preocupado em desvendar o assassinato da vereadora do PSOL Marielle Franco do que investigar o atentado que ele sofreu na campanha para a presidência.

A coluna Painel, da Folha de S. Paulo, noticiou que a avaliação feita por vários agentes da PF é que houve intensa investigação sobre o caso e não foi encontrado um mandante para o atentado contra a vida do presidente cometido por Adélio Bispo.

Este será provavelmente o primeiro problema que o novo diretor-geral da PF irá encontrar.

Fábio Wajngarten

A Polícia Federal no começo de 2020 abriu inquérito para investigar as supostas irregularidades que teriam sido cometidas por Fábio Wajngarten, o secretário de Comunicação Social da Presidência da República. Este inquérito está sob sigilo de Justiça.

Wajngarten é acusado de, mesmo sendo funcionário público, continuar atuando como sócio majoritário de uma empresa que dá consultoria e recebe dinheiro de emissoras de TV e empresas de publicidade que foram contratadas pela secretaria que ele comanda.

Inocentes

Procurado pela BBC News Brasil para comentar os casos envolvendo seu nome, a assessoria de Carlos Bolsonaro não respondeu.

Eduardo Bolsonaro negou qualquer responsabilidade nas acusações que está sofrendo, mesmo caminho seguiram Flávio Bolsonaro e Fábio Wajngarten.

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