Na última quarta-feira (17), o Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) reduziu novamente a taxa Selic, agora para 2, 25% ao ano, o menor índice já registrado no Brasil. Para entender os impactos dessa redução, é necessário saber o que é a taxa Selic.

Selic

O termo Selic é uma sigla para Sistema Especial de Liquidação de Custódia. Todos os dias entra e sai dinheiro dos bancos por meio de transações financeiras (empréstimos, saques, depósitos, etc). O Banco Central exige que os bancos mantenham o caixa equilibrado para não ter muito dinheiro em circulação e, com isso, controlar a economia.

Para cumprir esta meta, quando os bancos precisam de dinheiro fazem empréstimos entre eles com prazo de devolução de um dia útil. Eles oferecem como garantia títulos públicos (exemplo: Tesouro Selic) que pagam a taxa Selic e tem a garantia do Governo Federal.

Uma pessoa comum ao pegar um empréstimo em um grande banco paga taxa de juros muito maiores, por não poder dar a garantia do Governo Federal e porque não pode devolver o dinheiro em apenas um dia.

Como a taxa Selic influencia na economia brasileira

A taxa Selic influencia na economia do país porque, se ela está alta, a taxa de operações como Empréstimo Pessoal e Cheque Especial tendem a ficar ainda mais altas do que já são, se a Selic cai, as taxas dessas operações também tendem a cair, mas jamais terão o mesmo percentual da Selic.

Esse indexador se divide em duas formas: taxa Selic Meta e taxa Selic Over.

Taxa Selic Meta

É o índice que a população está acostumada a ouvir quando as pessoas falam sobre a "taxa básica da economia brasileira". Ela serve como base para outras taxas praticadas no mercado e tende a ser a menor taxa econômica do país.

Taxa Selic Over

É a taxa de juros utilizada por instituições financeiras ao fazer empréstimos entre si e usar como garantia os títulos públicos fornecidos pelo Banco Central (conforme explicado no início da matéria). Os investimentos de Renda Fixa são fortemente influenciados pela Selic, qualquer mudança da taxa afeta diretamente a rentabilidade dos seguintes produtos financeiros: Tesouro Selic, Poupança, CDB, LCI, LCA e LC.

Tesouro Selic

É um investimento encontrado dentro da plataforma do Tesouro Direto nacional cujo índice de rentabilidade está indexado à taxa Selic. Quando a Selic é reduzida, o rendimento do tesouro diminui. O contrário acontece quando taxa aumenta.

Poupança

A Caderneta de Poupança dispensa apresentações devido a ser o investimento mais popular no Brasil. Seus rendimentos estão ligados diretamente à taxa Selic, porque o cálculo é feito da seguinte forma:

. Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% sobre o valor depositado + taxa Referencial.

. Se a taxa Selic estiver igual ou abaixo de 8,5% ao ano, a poupança rende 70% da Selic + taxa Referencial.

Ou seja: como a Selic está muito abaixo de 8,5%, a rentabilidade da poupança teve uma queda drástica desde o seu surgimento, ocorrido em 1861, durante o regime do imperador Dom Pedro II.

CDB, LCI, LCA e LC

Ao se deparar com estes termos pela primeira vez, parece uma sopa de letrinhas. Porém, estas são siglas para Certificado de Depósito Bancário, Letra de Crédito Imobiliário, Letra de Crédito do Agronegócio e Letra de Câmbio.

Basicamente, não existem muitas diferenças entre esses investimentos que consistem em formas de bancos e instituições de crédito pegarem emprestado o dinheiro das pessoas.

Quando bancos precisam de dinheiro, além de poderem fazer empréstimos entre si, eles podem disponibilizar CDBs para que as pessoas comuns "emprestem" seu dinheiro aos bancos e o recebam de volta com juros após um determinado período.

As LCIs e LCAs têm a mesma finalidade de capitar recurso com os clientes e devolvê-los com juros, porém o que muda é que seus recursos só podem ser utilizados para o setor Imobiliário (LCI) e o setor do Agronegócio (LCA).

As LCs se diferenciam dos CDBs somente no órgão que as emite: no caso dos Certificados de Depósitos Bancários só podem ser emitidos por bancos e as Letras de Créditos, por financeiras como Fininvest, Crefisa, BV Financeira, entre outras.

Mudanças na taxa Selic afetam diretamente o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) taxa que acompanha a Selic e é utilizada em investimentos de Renda Fixa. Ou seja: quando a Selic cai, o CDI também cai, diminuindo o rendimento desses investimentos.

Investimentos que podem ser mais interessantes

Primeiramente é importante saber que antes de mergulhar no mundo dos investimentos, é necessário formar uma Reserva de Emergência.

Reserva de Emergência é a reserva de dinheiro a qual se pode recorrer no caso de uma emergência, por exemplo: perda do emprego, problemas de saúde, problemas familiares, uma colisão com o veículo e outros problemas que não sejam esperados.

O ideal é que se tenha entre seis meses a um ano das despesas mensais guardadas em investimentos que, mesmo com baixa rentabilidade, disponibilizem o dinheiro no prazo máximo de um dia útil, como, por exemplo, o Tesouro Selic e CDBs de liquidez diária.

Feito isso já se pode pensar em investimentos mais lucrativos. No momento atual, com a baixa da Selic, a renda variável se tornou mais atrativa para diversos investidores brasileiros.

A Renda Variável possui esse nome porque os rendimentos sofrem oscilações de altas e quedas no mercado e o investidor não tem como ter certeza de que receberá o retorno dos seus investimentos. Porém, de acordo com um artigo publicado no site Valor Investe, quem está a procura de boas oportunidades, pode investir em ações de empresas de tecnologia, e-comerce e saúde, três setores que tendem a ter maior demanda nos próximos anos.

Os investimentos em Fundos Imobiliários- fundos formados por grupos de investidores que ao comprar cotas de um imóvel, recebem o retorno em forma de dividendos pagos de acordo com o rendimento do fundo- estão com preços mais acessíveis porque não se sabe o quanto o desemprego e a perda de renda irá afetar esse seguimento.

Para as pessoas que estão iniciando no mercado variável e tem pouco conhecimento para escolher ações, existem as ETFs- fundos de investimentos que se baseiam em índices do mercado, como índice Bovespa.

E, por fim, os investimentos no Exterior também podem ser uma boa pedida porque o mercado internacional se recupera de crises econômicas mais rápido que o Brasil. Existem os chamados Fundos Cambiais –fundos de investimento que investem em ativos atrelados a moedas estrangeiras– com eles é possível comprar recibos de ações americanas na B3(BDRs) ou investir em fundos de ações negociados na bolsa de valores, similar a uma ETF, porém vinculado ao desempenho de investimentos internacionais, exemplo: S&P 500.

Quem está começando a investir agora, o ideal é abrir conta em uma corretora de valores, pesquisar sobre cada investimento e, se precisar, procurar o auxílio de um profissional do mercado, para que saiba onde investir, de acordo com os próprios objetivos de vida, e alcançar sucesso nas metas financeiras desejadas.

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