É a primeira vez em 26 anos de existência que o real ganha uma cédula de maior valor: a nota de 200 reais. Lançado em 1994, o real ganhou em 2001 a cédula de 2 reais, e em 2002 a cédula de 20 reais. Desde então, nenhuma cédula de valor diferente dos que já existiam foi lançada. Em 2020, surge agora a cédula de 200 reais. Neste meio tempo, a única mudança que aconteceu em relação ao valor das cédulas foi a extinção da cédula de 1 real, que aconteceu em 2005. Mas por que o Brasil precisa de uma nota de 200 reais justo agora?

Assim como aconteceu com a nota de 20 reais na época, a nova cédula de 200 reais também tem a intenção de diminuir a quantidade de papel necessária para atingir valores mais altos.

De acordo com o Banco Central, está prevista a impressão de 450 milhões de cédulas ainda em 2020, a partir de agosto.

Pessoas estão guardando mais dinheiro em casa. A nova nota de 200 reais pode ajudar nos saques.

A nova cédula de valor mais alto também visa atender à demanda do pagamento do auxílio emergencial, já que grande parte das pessoas preferiu sacar o auxílio em dinheiro, não retornando assim, os valores para a rede bancária.

Quando o país passa por períodos de incertezas, a tendência é que as pessoas acabem acumulando e guardando mais recursos financeiros em espécie em casa, o que aumenta a quantidade de saques.

Desvalorização acumulada

Não se pode culpar somente a pandemia do coronavírus.

As notas acima do máximo existente (como a nota de 200 reais) costumam carregar uma característica um pouco menos animadora: a desvalorização da moeda.

Se a questão fosse apenas relacionada à crise provocada pela pandemia do coronavírus, era de se esperar que as moedas de quase todos os outros países apresentassem problemas parecidos.

Mas comparando o real com outras moedas, o quadro é um pouco mais complicado.

Em comparação com todas as outras moedas, de acordo com a Austin Rating, o real foi a segunda moeda mais desvalorizada de janeiro a julho de 2020, ficando atrás apenas do bolivar, da Venezuela.

Em comparação com o dólar, o real já vinha apresentando uma desvalorização vertiginosa mesmo antes do país entrar em isolamento social.

De outubro de 2018 a abril de 2020, a moeda americana saltou de R$ 3,84 para R$ 5,65

De acordo com a Diretora de Administração do Banco Central, Carolina de Assis Barros, não existe relação da nova cédula com a possibilidade de desvalorização do real, o que nos faz descartar possíveis temores de aumento da inflação num futuro próximo.

Mas o real já completa 26 de existência e a desvalorização acumulada em mais um quarto de século já demonstra o desgaste que nossa moeda enfrentou nesta trajetória.

Para se ter uma ideia, os 100 reais em 1994 (época em que o Governo lançou o real) valem hoje menos do que R$ 16,75 (os dados são de 2019). Ou seja, o que comprávamos com 100 reais quando o real foi lançado, custaria hoje mais de R$ 600,00.

Assim, a nova nota de 200 reais tenta equilibrar essa desvalorização acumulada durante décadas, para suprir a necessidade de haver menos papel impresso em circulação na economia.

O lobo-guará

Seguindo a tradição das cédulas, a nova nota também apresenta um animal da fauna brasileira. Em 2000, o Banco Central realizou uma pesquisa com a população para saber quais animais os brasileiros queriam ver retratados em suas novas notas de dinheiro. Os vencedores foram a tartaruga marinha e o mico-leão-dourado. Estes dois animais passaram a estampar as notas de 2 e de 20 reais, respectivamente.

O lobo-guará ficou em terceiro lugar, e seguindo esta ordem passará a ilustrar a nova nota de 200 reais.

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