Em meados de 2010, o então desconhecido Felipe Neto resolveu fazer um vídeo em que fazia críticas a bandas tipo Restart. Na época, os grupos musicais que surfaram nesta onda receberam o apelido de Happy Rock, ou ainda "bandas coloridas".

Há dez anos, o formato vlog dava seus primeiros passos no Brasil, o carioca do Engenho Novo fez seu vídeo com críticas contundentes àquele movimento e, no dia seguinte, havia deixado de ser um anônimo. É o que relata o site da revista Carta Capital, que entrevistou recentemente o influenciador digital Felipe Neto que, depois que postou aquele vídeo em 2010, viu sua vida mudar.

Na manhã do dia seguinte, o vídeo de Neto tinha dezenas de milhares de visualizações e muitos comentários, de negativos a positivos.

Revista Time

Passados dez anos daquele choque inicial, Felipe Neto, agora um veterano no YouTube com quase 40 milhões de inscritos, recebeu em setembro de 2020 a notícia de que seu nome havia sido eleito pela renomada revista norte-americana Time como uma das cem pessoas mais influentes do mundo.

O carioca de 32 anos contou que não acreditou na notícia dada por sua assessoria, e pediu para que sua equipe checasse a informação para ter certeza que não se tratava de uma brincadeira.

Nos dez anos de vida no YouTube, o canal do influenciador digital passou por várias alterações (e polêmicas).

Aos poucos, Felipe foi mudando o seu perfil, abandonou os xingamentos e as sistemáticas críticas à cultura pop, e passou a produzir vídeos mais apropriados para a família.

Como consequência, ele ganhou milhares de fãs pré-adolescentes e o conteúdo de seu canal é voltado quase que totalmente para este público.

Jair Bolsonaro

Não foi pela trajetória de seu canal que Felipe chamou a atenção da Time. E sim por sua postura desde as eleições para presidente em 2018, que culminou com a vitória de Jair Bolsonaro.

O crescimento de Bolsonaro nas pesquisas eleitorais fez com que o carioca se posicionasse de forma clara contra a violência e a intolerância, isto sem se importar se seu posicionamento fosse causar uma queda em seu público.

Realmente Neto perdeu fãs, mas acabou se tornando uma voz bem incômoda para o bolsonarismo. Em 2019, ele mandou sua mãe para fora do país por medo das ameaças que tem sofrido por causa de suas críticas ao atual governo.

Marcelo Crivella

As primeiras ameaças que realmente o deixaram preocupado não vieram dos apoiadores de Jair Bolsonaro, e sim depois de um episódio em 2019 envolvendo o atual prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella.

Depois que o alcaide determinou que fossem recolhidos da Bienal do Rio uma revista em quadrinhos que mostrava dois adolescentes homens se beijando, Neto distribuiu gratuitamente livros com temática LGBTQI+ para o público que estava naquele evento.

O episódio foi um divisor de águas na participação política do youtuber na sociedade.

Desde então ele passou a dialogar frequentemente com figuras de esquerda como Marcelo Freixo e Guilherme Boulos, entre outros.

Se atualmente Felipe Neto se considera um progressista e um social-democrata (mas sem nenhuma conexão com o PSDB, fez questão de frisar), ele contou na entrevista que nem sempre pensou dessa maneira. A alteração de sua visão política se deu por meio de estudos e leitura.

Sua visão política foi mudando aos poucos e, em 2016, ele foi favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, algo que diz considerar um erro sob a ótica do presente.

Naquela época, ele acreditava que por ser pobre e ter conseguido sucesso na internet, ele achava que todos poderiam seguir o mesmo caminho.

Ele era um "liberal por osmose", declarou Neto.

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