Tudo o que você achava que deletou e não pode ver mais. Tweets, re-tweets, mensagens diretas, fotos, tudo fica armazenado com o Twitter para ser entregue à justiça, se for preciso.

Com uma câmera escondida, uma jornalista norte-americana, membro do projeto Veritas, gravou uma conversa com um engenheiro de Segurança do twitter revelando que até mesmo as contas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do seu filho são guardadas para que qualquer informação, mesmo mensagens diretas supostamente deletadas, seja entregue ao Departamento de Justiça em possíveis investigações contra o presidente.

Declaradamente contra Donald Trump, o empregado do Twitter disse ainda que não poderia fazer parte de uma máquina responsável pela derrubada da América, derrubada representada pelo próprio Trump, em sua visão, afirmando também que “não gosto dele” e que Trump é “um ser humano terrível”. Mas o Twitter só pode fornecer informações sigilosas de seus usuários quando recebe mandato judicial.

Vídeo recebe aprovação massiva pelo jornalismo investigativo

Postado no dia 10 de janeiro, no canal Veritas Visuals do YouTube, o vídeo já foi visto por mais de 122 mil pessoas (em 11/01) e sua aprovação pode ser conferida tanto pelas curtidas quanto pelos comentários.

O trabalho corajoso e criativo dos jornalistas do projeto está sendo reconhecido. Se haverá alguma consequência ou resultado, os próximos dias ou meses dirão.

Em apenas 8 minutos e 16 segundos, pode-se ver e ouvir a conversa de forma clara (apesar de alguns ângulos incomuns da câmera escondida) entre o engenheiro do Twitter (que, obviamente, não sabia estar sendo ‘‘entrevistado’’) e a jornalista investigativa. Seu interlocutor faz revelações chocantes que despertam reações da repórter, supostamente em uma conversa informal.

Cada tweet, re-tweet, foto, mensagem direta, tudo fica armazenado no Twitter

O ato de clicar em um botão que diz servir para deletar algo é apenas para que você e outros usuários-padrão não tenham mais acesso ao conteúdo clicado para, supostamente, desaparecer. Nada é apagado dos servidores do Twitter para, caso o governo ou a Justiça precise de algo, a empresa possa fornecer.

Segundo o engenheiro no vídeo, seu alvo principal no momento é o presidente do seu país.

Referindo-se ao que já viu nas mensagens privadas de Donald Trump e de seu filho Trump Jr., o engenheiro de redes de segurança ri e balança a cabeça de forma negativa, como se estivesse na posse de grandes absurdos contra o presidente norte-americano, sem que o mesmo tenha a mínima ideia de que está sendo vigiado pela plataforma que tanto utiliza.

As formas questionáveis como Trump utiliza o Twitter também fazem parte da conversa entre o empregado da empresa e a repórter, que afirma temer uma guerra nuclear causada por um tweet irresponsável do presidente.

“Algo precisa ser feito” e “alguém precisa fazer algo” eram consenso na ‘’entrevista’’. O engenheiro ainda disse que entregaria "alegremente" informações de Trump para o Departamento de Justiça.

Resposta do Twitter ao vídeo

“O indivíduo retratado neste vídeo estava falando em uma capacidade pessoal e não representa ou fala pelo Twitter”, disse a empresa ao International Business Times. “O Twitter apenas responde a solicitações legais válidas e não compartilha nenhuma informação do usuário com instituições legais sem tal pedido”.

“Deploramos as táticas enganosas e secretas pelas quais esta filmagem foi obtida e editada seletivamente para atender a uma narrativa pré-determinada”, disse o porta-voz do microblog. “O Twitter está empenhado em impor nossas regras sem preconceito e capacitar cada voz em nossa plataforma, de acordo com as regras do Twitter”, completou.

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