É notório que o Facebook, empresa presidida e criada por Mark Zuckerberg, é a maior rede social virtual de todo o mundo e que influencia os hábitos de aproximadamente 2 bilhões de usuários, no que tange ao modo de interagir socialmente, de consumir, entre outros aspectos.

Mas esse colosso do mercado publicitário digital está passando por uma crise de confiança sem precedentes em sua trajetória de mais de 14 anos, ocasionada pelo compartilhamento de dados de ao menos 50 milhões de usuários (principalmente eleitores americanos), redundando na suposta violação de um decreto de consentimento de 2011.

O estopim do estardalhaço

O escândalo se tornou público depois da veiculação de reportagem no Channel 4 (rede de televisão britânica), no dia 17 passado, em que um ex-funcionário da empresa de consultoria política Cambridge Analytica, Christopher Wylie, fez revelações sobre um esquema de comercialização de informações de cerca de 270 mil usuários da rede e de seus contatos, totalizando mais de 50 milhões de pessoas.

Os primeiros se dispuseram a responder um quiz, em 2014, por meio de um aplicativo chamado thisisyourdigitallife, com o oferecimento de um modesto pagamento. Após essa entrevista, seguiram-se outras reportagens em jornais britânicos e americanos, como The Guardian e The New York Times.

Acontece que os dados podem ter sido usados para influenciar os resultados das eleições americanas de 2016 - favorecendo o candidato eleito, em detrimento da candidata do Partido Democrata -, além do plebiscito que decidiu sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, no episódio batizado de Brexit, no ano seguinte.

Isso pode caracterizar uma violação de privacidade, pois algumas informações foram coletadas sem autorização, o que tem o potencial de gerar uma multa de até US$ 40 mil por usuário, e que atingir a incrível soma de US$ 1 trilhão (valor máximo), de acordo com um portal de economia.

São devastadores os efeitos financeiros dessas notícias, causando perda de valor de mercado do Facebook da ordem de US$ 58 bilhões em um período de sete dias, assim como, obviamente, queda no preço das ações, que passaram de US$ 176,80 para US$ 159,30 - entre segunda (19) e sexta-feira da semana passada (23).

Influenciam no desempenho do preço dos papéis da empresa o fato de o presidente da companhia ter sido convocado pelo deputado britânico Damian Collins para depor diante de um comitê legislativo. Já nos Estados Unidos, a senadora Amy Klobuchar faz pressão para que o CEO se explique perante o Senado. O caso já está sendo apreciado pelo órgão chamado Federal Trades Commission - FTC (Comissão Federal de Comércio) em território americano.

Futuro da companhia estadunidense

Mas nem tudo são notícias desalentadoras para os entusiastas e anunciantes do Facebook, pois é natural que haja uma reação imediata por parte de alguns usuários e clientes. Entretanto, devido a precisa segmentação do público presente na rede, permitida pela análise dos dados dos usuários, essa continuará sendo atraente para ambos.

O risco maior, segundo o diretor da empresa de publicidade M&C Saatchi, David Kershaw, é a retirada de investimentos em publicidade e não a exclusão de contas de usuários, apesar de esse movimento ter se intensificado.

Enfim, tudo se acalmará, pois a empresa está trabalhando para desfazer a imagem negativa e aprimorando a proteção das informações dos usuários. Os clientes, certamente, irão continuar contratando os serviços de anúncios, uma vez que as pessoas estarão no mesmo lugar. Afinal, quais seriam as opções?

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