Imagine um amigo que, por conhecer você muito bem, consiga deduzir sua série preferida, sua orientação sexual, com quem você passou o fim de semana ou mesmo, se você está tranquilo ou estressado.

Agora imagine que esse “amigo” use essas informações para te manipular, ou pior, venda suas informações a terceiros. Pois saiba que situação bastante semelhante acontece quando você navega pela internet.

Seja acessando as redes sociais, comprando naquele site que tem exatamente a roupa que você estava procurando, verificando a melhor rota para chegar aquele restaurante legal com o crush ou até mesmo uma rápida conferida na previsão do tempo.

Quem nunca percebeu que, ao fazer uma pesquisa por “meias amarelas” no Google, por exemplo, muito provavelmente nas próximas páginas que acessar, automaticamente, se abrirão janelas e mais janelas oferecendo “meias amarelas”?

Especialistas criaram um sistema capaz de “bisbilhotar” o perfil e as curtidas de 58.466 pessoas dispostas a participar de uma experiência. Os dados coletados foram confrontados com as opiniões reais dessas mesmas pessoas e o nível de acertos ficou na casa de mais de 80%.

Portanto, tudo que você acessar na rede, absolutamente tudo, revelará informações sobre você. Gosto musical, que tipos de comida prefere, locais que frequenta, quem são seus amigos, quanto você gasta por mês com seu cartão de crédito, se você é homo ou hetero, onde mora, se tem carro ou vai de Uber, enfim já foi possível perceber a quantidade de informações a seu respeito que a rede consegue obter.

O Facebook, por exemplo, continua coletando suas informações de navegação na rede mesmo após você sair do seu perfil. Isso apenas será evitado se você sair manualmente da página, ou seja, clicar em “sair”.

A pergunta é “Por quê?” ou “ Para quê?” essas empresas querem tanto saber nossos costumes e opiniões. Talvez porque elas queiram antecipar-se às nossas necessidades nos oferecendo produtos ou serviços que nós ainda sequer sabemos que precisamos ou desejamos.

No entanto, a resposta parece não ser tão simples. Gemma Galdon Clavell, doutora em políticas públicas e diretora de pesquisa da Eticas Research and Consulting, diz que a intenção das empresas não se limita a saber o que compramos, com quem interagimos e do que gostamos. “Esse comércio de dados inclui, cada vez mais relatórios médicos, dados fiscais, dados bancários e de renda”, e essas informações, segundo a Dra.

Gemma, podem determinar, por exemplo, se nos concederão crédito, o valor do plano de saúde que vão nos oferecer ou se conseguiremos um determinado emprego.

O diretor presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR, Demi Getschko, renomado pioneiro brasileiro da web, concluiu uma entrevista, dada por ele em 2015, dizendo: “O grande desafio é como preservar privacidade e direitos humanos numa história em que a tecnologia abre tantas novas estradas e possibilidade para o bem ou o mal.”

Tanta exposição realmente preocupa e talvez seja esse um dos maiores desafios desse começo de século.

Diferentemente daquele famoso reality show onde os participantes escolhem estar na vitrine, não há como evitar a coleta de dados na rede. Resta a esperança de que, com informação e leis específicas que regulamentem o assunto, seja possível alcançar um ponto onde a vontade e o direito das pessoas não sejam desrespeitados.

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