O jornal Folha de São Paulo publicou nesta última sexta-feira (19), um artigo relacionado à utilização do aplicativo de mensagens instantâneas ‘WhatsApp’, para disseminar campanhas das eleições presidenciais deste ano.

Posteriormente à publicação, a jornalista responsável por seu conteúdo, Patrícia Campos Mello, se tornou alvo de ofensas na internet e teve sua conta do WhatsApp hackeada, motivos que levaram o caso até a Polícia Federal, para que fosse instaurada uma investigação para identificar os responsáveis pelas ações.

Os métodos utilizados pelos criminosos para "roubar" contas do WhatsApp

De acordo com Igor Rincon, que é hacker profissional e especialista em segurança da informação, existe a possibilidade de que uma conta do WhatsApp seja invadida até mesmo por pessoas que não possuem muito conhecimento no assunto bastando, por exemplo, que o usuário tenha que trocar o número do seu celular, e consequentemente migrar sua conta do WhatsApp para esse novo número.

Para que esse procedimento seja concluído, o aplicativo envia uma mensagem via SMS com um código de verificação ao número atual, que geralmente aparece como notificação na tela do celular. Se o suposto invasor tiver acesso ao celular da vítima, o mesmo poderá facilmente copiar esse código e se conectar a essa conta em qualquer outro aparelho celular.

Igor enfatiza que usuários que costumam utilizar o aplicativo (Web WhatsApp) através de computadores no trabalho ou mesmo em locais públicos, estão mais propensos a serem hackeados, por dois principais motivos:

O primeiro é o usuário fechar o navegador com o Web WhatsApp ainda conectado ao celular, sem efetuar o “logout” (deslogar o app do computador), o que deixa o aplicativo ainda ativo e, se o celular da vítima ainda estiver próximo ao equipamento recentemente utilizado, por ainda haver comunicação entre os dois aparelhos, qualquer pessoa poderá acessar e entrar nessa conta sem que seja necessária nenhuma verificação ou senha, e o pior, sem que o dono seja alertado ou tenha conhecimento.

O segundo motivo é ainda mais comprometedor, quando se utiliza um computador desconhecido para acessar o Web WhatsApp, que pode conter previamente instalado em seu sistema algum tipo de malware, que são “programas” destinados a furtar informações mais abrangentes, que além de acessar informações do WhatsApp da vítima, também conseguem ter acesso a todas as informações do celular, como fotos e vídeos da galeria, lista de contatos telefônicos, anotações, lembretes, etc.

Os golpistas estão se sofisticando cada vez mais e atualmente é possível “roubar” uma conta do WhatsApp mesmo que o celular não esteja perto dos criminosos, pois os mesmos utilizam desde informações pessoais da vítima para entrar em contato com a operadora e clonar o chip, até interceptar mensagens por ‘SMS’ que trafegam pelas torres de telefonia móvel.

Para ficar mais protegido dos golpes, o usuário pode adotar alguns critérios extras.

O WhatsApp disponibiliza uma função muito importante para aumentar a segurança do aplicativo, mas que poucas pessoas utilizam ou mesmo conhecem. Trata-se do recurso de segurança de duas etapas, que solicita um código extra de seis dígitos sempre que o app for iniciado em outro aparelho.

Também é importante desabilitar a função que mostra uma prévia das notificações recebidas na tela do celular, para evitar visualizações alheias de parte dessas mensagens. Evite clicar em banners de anúncios publicitários em sites duvidosos e mantenha sempre um antivírus instalado e atualizado no seu aparelho.

Por fim, caso o usuário perceba algo suspeito em sua conta do WhatsApp, como o app começar a “deslogar” com frequência, aparecer pessoas estranhas em sua lista de contatos ou mesmo alterações involuntárias nas configurações do aplicativo, o mais indicado é tirar “prints”, ou seja, fotografar as telas suspeitas e realizar um backup de todos os seus dados, para se precaver de uma eventual exclusão maliciosa do invasor.

Se possível faça um boletim de ocorrência e solicite informações às autoridades de como proceder nesse caso.

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