Parada, quase parando e com uma queda expressiva em seus últimos capítulos. 'Os Dez Mandamentos' encerra a sua primeira fase na televisão respirando por aparelhos e sem a menor necessidade de uma segunda parte. A novela, que inicialmente contaria toda a história de Moisés em 150 capítulos, foi esticada. Se contarmos as duas partes da novela, serão 230 capítulos, um aumento de mais de 50%. Tantos episódios foram ao ar, na maior parte das vezes, sem grandes acontecimentos. A sensação é de que se podia perder um, dois capítulos, e que nada de importante seria privado do público.

Essa sensação aumentou com os flashbacks infindáveis, que foram ao ar em praticamente todos os capítulos.

Alguns deles demoraram minutos, como o que foi exibido nesta sexta-feira, 20. Moisés (Guilherme Winter) lembrou das dez pragas e ainda da abertura do Mar Vermelho. Haja paciência para quem assiste ao drama. 

Até mesmo os capítulos ditos especiais foram cercados de muita enrolação. Como exemplo, o que exibiu a abertura do Mar Vermelho, no qual praticamente nem falas foram exibidas em uma hora de sequência. Um show de efeitos especiais, mas e o folhetim? E as histórias? A grande verdade é que 'Os Dez Mandamentos' fez sucesso por três motivos principais. A novela tem um forte apelo, afinal, é a primeira com conteúdo bíblico e vivemos em um dos países mais religiosos do mundo. O segundo motivo é que os telespectadores se cansaram das Novelas ditas tradicionais, e acabam sempre procurando um válvula de escape. 

A terceira questão está relacionada aos efeitos especiais.

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Esse tipo de inserção atinge em cheio boa parte do público, especialmente os das classes mais pobres. A própria Record já viu um sucesso parecido nesse quesito, quando 'Mutantes' virou quase uma 'Malhação' e foi ganhando temporadas, até não restar mais uma migalha para contar história. O mesmo deve acontecer com as tramas bíblicas, que devem ser exploradas até não dar mais. 'Os Dez Mandamentos' é a prova disso. A Record transformou um sucesso em um "porre", gastando tudo o que poderia gastar, e muito mais.