O capítulo de estreia de "Haja Coração", a nova novela das 19h da Globo, na terça (31), não causou nenhuma surpresa. Ficou claro que a trama vai mesmo enveredar pela comédia romântica. Foi uma estreia ágil e colorida. Em se tratando de uma obra aberta, fica mais fácil acertar o rumo mais adiante, tendo a audiência e o grupo de discussão, que geralmente a Globo promove para analisar os desempenhos de suas Novelas, como termômetros. 

O autor de "Haja Coração", Daniel Ortiz, e o diretor da trama, Fred Mayrink, se apressaram em dizer que a novela é uma releitura e não um remake de "Sassaricando" (1987), de Silvio de Abreu, para evitar comparações com a trama original.

O 'contar uma nova história' tira a responsabilidade do autor e atores de apresentar uma comédia rasgada e interpretações caricatas. A ideia é mesmo apostar em uma nova roupagem e uma verve romântica.

As novelas das 19h, já há algum tempo vêm apresentando histórias românticas e personagens "jovens", apostando no engajamento dessa faixa etária nas redes sociais. A julgar pela audiência das novelas anteriores, a aposta está correta! Ainda assim, fica a impressão de que é sempre a mesma história. "Sassaricando' foi uma novela com identidade madura, recheada de humor, contando as aventuras de um homem de 60 anos que fica viúvo e que tenta levar uma vida cheia de "sassaricos", embora a trama principal tenha perdido espaço para as tramas paralelas, o que parece que o autor Daniel Ortiz tratou de ajustar em sua releitura.

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Sobre a nova versão de Daniel Ortiz só o tempo irá dizer se o público aprovou. Mas vale o adendo, que os remakes, agora ditados como releituras, acabam que descaracterizando as obras originais. E era justamente no trio amoroso formado por Tancinha (Cláudia Raia), Beto (Marcos Frota) e Apolo (Alexandre Frota) que estava, já na estética dos personagens, um forte tom cômico. Tancinha era um mulherão de arrasa quarteirão, disputada pelo baixinho Beto e pelo alto e forte Apolo, dois homens completamente diferentes. A graça, além do texto, estava na criação dos tipos, na caricatura dos personagens. 

Sem entrar no mérito de remakes, "Haja Coração"  se torna uma produção comum para um público já acostumado com esse tipo de histórias.