Poussey, uma das personagens mais amadas do seriado original da Netflix, "Orange Is The New Black", foi quase sempre a mais querida por todos. Afinal, com um gênio forte, destemida e bondosa, chamou a atenção do público na última temporada, quando fez grandes planos com sua parceira, a querida "Soso".

As duas planejavam casar e ter uma vida estável, mas tudo mudou nos capítulos finais da trama, quando terrivelmente durante um princípio de rebelião, poussey foi morta "acidentalmente" por um dos guardas, que até então era um dos mais simpáticos e caridosos.

O fato causou um estranhamento em todos que acompanhavam a série.

Há algum tempo, a atriz samira Wiley falou um pouco sobre o que achou da reação dos admiradores para a revista "Variety". “As pessoas estão bravas. As pessoas, ou estão muito, muito, muito chateadas, bravas e irritadas e ameaçando fazer algo violento, ou estão profundamente tristes e arrasadas. Eu sabia que as pessoas iam ter uma reação emotiva muito grande. É uma cena arrasadora, então eu esperava a tristeza. Mas, do jeito que esses fãs estão tão bravos e as coisas que eles dizem, é meio chocante”

A atriz ainda deu uma grande filosofada durante a entrevista “O que fazemos como artistas é nossa responsabilidade: a arte reflete a vida; a vida reflete a arte”

Samira também relatou o motivo de sua personagem ter sido morta por Bailey, um dos melhores guardas que Litchfield teve, e lembrou a importância de saber diferenciar, mas também que não se deve julgar pessoas boas ou más.

“Se tem uma coisa que Jenji [Kohan, criadora] e os roteiristas fazem bem, e fizeram particularmente bem dessa vez, é mostrar o quão complicado tudo é; é mostrar que, às vezes, pessoas más fazem coisas boas e pessoas boas fazem coisas más. Não é necessariamente preto e branco”.

A atriz também falou ao The Hollywood Reporter. "Há pessoas que estão assistindo TV que podem não ter um relacionamento mais íntimo com o Black Lives Matter, mas, elas conhecem Poussey. O que eu tenho lido na internet são pessoas profundamente tristes, algo que elas não conseguem esquecer. E isso é exatamente o que Jenji quer, que as pessoas sintam; ela quer que as pessoas não sejam capazes de deixar isso para trás."

Samira também falou com o The New York Times e ressaltou a importância que os roteiristas têm ao mostrar a realidade do mundo para as pessoas.

"Eu ouvi de alguns roteiristas que eles não poderiam fazer isso com qualquer personagem. Que precisava ser alguém que as pessoas amavam e com quem se importavam — sinto muito. Poussey vem de uma família amada, as pessoas se importavam com ela e até a sexualidade dela foi abraçada pelo pai. E, assim como muitos jovens, ela acabou caindo nas coisas erradas. Mas, a sua vontade e o seu potencial de fazer alguma coisa dela mesma, e tirar essa parte dela — é um elemento muito poderoso da televisão".

Lembrando que a morte da personagem foi inspirada na morte de Eric Garner que, em 2014, em New York, foi jogado ao chão por um oficial e estrangulado por cerca de 15 a 19 segundos, enquanto era preso.

Levado ao hospital, não resistiu e foi declarado morto cerca de uma hora depois da chegada.

A prisão ocorreu porque os policiais desconfiavam que Garner vendia cigarros individuais, o que é proibido em NY, enquanto afirmava que estava cansado de ser assediado e que não portava cigarros.

Realmente, a morte da nossa Poussey foi triste, mas, sabemos que houve um motivo muito nobre, e que pessoas boas, às vezes, têm de pagar. O mundo é assim: pessoas boas sofrem, pessoas boas cometem erros, como Bailey, e morrem como a Poussey.

Sentiremos saudades dos sorrisos, mas também saberemos que a morte não foi em vão.

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