Quando a primeira temporada da série televisiva Demolidor (Daredevil, no original) foi lançada na Netflix no dia 10 de abril de 2015, após o retorno dos direitos do personagem para a Marvel Studios (e Marvel Television), ainda era difícil imaginar como aquela história, protagonizada por Charlie Cox, daria origem aos vindouros Defensores. A parceria entre a Netflix e a Marvel previa quatro séries de heróis solos da Casa das Ideias que não poderiam ter espaço no seu Universo Cinematográfico neste momento.

Heróis como Jessica Jones (interpretada no serviço de streaming por Krysten Ritter), Luke Cage (Mike Colter) e Punho de Ferro (Finn Jones), não contracenariam em um primeiro momento com os já consagrados pelo grande público Homem de Ferro, Thor, Capitão América, Doutor Estranho, Homem-Aranha, mas se encontrariam em uma série que uniria os heróis urbanos da Marvel para combater o perigo que está nas ruas, os Defensores não lutam contra vilões cósmicos ou cibernéticos, eles enfrentam máfias, psicopatas e o clássico Tentáculo (The Hand, no original).

Nesta primeira temporada, Os Defensores enfrentam o Tentáculo com a necessidade de se provar em quesitos como roteiro, ação e técnica. Após o enorme sucesso da primeira temporada de Demolidor e Jessica Jones, a segunda temporada de Demolidor deixou a desejar por não ter sido tão brilhante quanto a anterior. Somado a esse pequeno problema, a primeira temporada de Luke Cage não teve unanimidade entre o público, ao trazer soluções de roteiro simplórias e cenas de ação mal executadas, um dos poucos pontos positivos havia sido a caracterização do Harlem.

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A série prelúdio de Defensores, Punho de Ferro mostrou ainda mais problemas, com um roteiro fraco, descaracterização do personagem título, reviravoltas sem sentido e excesso de dramatização, além das piores cenas de luta de rua de todas as séries da parceira Marvel/Netflix.

Missão

Com a queda na qualidade dos seus títulos, os Defensores chega com a missão de agradar a opinião pública principalmente em três quesitos: roteiro; interação e caracterização dos personagens; e coreografia das cenas de ação.

No roteiro, apesar de alguns diálogos forçados, a trama construída nas séries solo de Demolidor e Punho de Ferro sobre o Tentáculo faz sentido e justifica a união entre os personagens para combater esta ameaça à cidade de Nova York. A experiência de assistir todos os episódios pela Netflix, sem ter de esperar semanas para a conclusão, ajuda no ritmo da série, pois apresentação, desenvolvimento, clímax e conclusão conseguem ficar bem definidos.

A interação entre os personagens é o principal ponto forte de Defensores. Além da já esperada irmandade entre Punho de Ferro e Luke Cage, as interações entre Demolidor e Jessica Jones, que seguram boa parte do roteiro com atuações brilhantes, são uma novidade que o fã mais assíduo não esperaria que daria tão certo. Ponto também para a relação entre o Demolidor e o Punho de Ferro, os dois vigilantes que carregam o mundo de responsabilidades nas costas, mas são muito diferentes em personalidade e capacidade de lidar com seus problemas.

Aliás, a dinâmica entre a relação do Luke Cage com Jessica Jones, Misty Knight (Simone Missick) e Claire Temple (Rosario Dawson) se esclarece, resolvendo todas as questões que ficaram mal resolvidas na série solo do herói de aluguel do Harlem.

A coreografia dos combates ainda deixa a desejar, pois as lutas parecem mais uma dança do que um verdadeiro confronto para salvar uma cidade. Mas ver os quatro personagens lutando juntos, algumas vezes com a participação de Claire, Misty e Colleen Wing (Jessica Henwick) é gratificante, principalmente porque faz sentido e todos eles possuem personalidades e estilos de luta distintos. Mesmo tendo apenas 8 episódios, Os Defensores consegue desenvolver todos os seus heróis e entregar um produto completo, ressalva apenas para o desenvolvimento dos vilões, que não possuem grande personalidade, com exceção do retorno de Elektra Natchios (Élodie Yung), que possui um arco completo nesta temporada.

A série deixa pistas do que podemos esperar das novas temporadas de Jessica Jones, Luke Cage, Demolidor e Punho de Ferro, mas infelizmente está cada vez mais difícil imaginarmos a possibilidade dos heróis televisivos da Marvel (incluindo Tremor, Phil Coulson, Raio Negro, Medusa, Deathlok, Motorista Fantasma) aparecerem em algum dos filmes, como o vindouro Vingadores 4. Em Defensores, Nova York está em colapso e nenhum dos heróis do cinema é citado. Onde estaria o Homem-Aranha? Parece que as séries da Marvel/Netflix, que estão no mesmo universo, caminham agora para a total independência.

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