A escritora Clara Averbuck é mais uma que entra para as estatísticas de violência contra as mulheres. Segundo informações postadas no Facebook da escritora, Clara foi abusada sexualmente por um motorista de Uber. Ele tocou as partes íntimas da escritora, que estava alcoolizada no carro dele.

Assim como tantas outras, ela se sentiu humilhada e sem vontade de reagir, pois a cada ação uma nova humilhação era proposta. Pois, quando uma mulher sofre estupro ou qualquer outro tipo de violência sexual, ela tem que provar o abuso e a violência, e segundo depoimento de Clara, ela não está disposta a passar por mais esta violência.

Quanto ao motorista, o que acontece com ele se ela não denunciar?

A principio, a Uber já tomou suas providências e baniu o motorista do aplicativo. Ele nunca mais irá dirigir através do aplicativo. Mas, o correto seria ser denunciado numa delegacia de mulheres e pagar pelo crime de estupro.

As políticas públicas devem mudar a este respeito e as mulheres deveriam ser ouvidas e não humilhadas num momento tão constragedor quanto este pelo que Clara passou. Ela afirma que estava bêbada e que talvez seja por este motivo que o motorista tenha se sentindo à vontade de tocá-la, fingindo estar ajudando.

Todos os dias estas justificativas são usadas pelos homens abusadores e até mesmo pelas mulheres: 'Estava com a saia curta demais', 'estava muito bêbada', 'o que fazia na rua sozinha'. As mulheres têm direito de ir e vir sem serem tocadas e abusadas, física ou psicologicamente.

A escritora está mobilizando outras mulheres pelo seu Facebook para se unirem e fazerem uma ação contra este abuso. Na hashtag #MeuMotoristaAbusador e #MeuMotoristaAssediador as mulheres podem abrir seus corações e contar as histórias que aconteceram com elas.

Várias mulheres contaram, já na página, o que aconteceu com elas e as atitudes que tomam antes de embarcar nas viagens de táxi e Uber. A mobilização é válida, mas o ideal continua sendo a denúncia, seja ela por redes sociais ou na delegacia.

Casos de abuso praticados por motoristas do Uber não são raros

Quem acha que situações como essa são casos isolados, talvez se engane. De acordo com dados apurados pelo jornal Folha de S. Paulo, entre janeiro de 2015 e fevereiro de 2017 foram realizados 1.120 boletins de ocorrência envolvendo o aplicativo Uber, só no estado de São Paulo.

A maior parte dos incidentes envolvendo a plataforma é referente a casos de roubo, furto, sequestros-relâmpagos, conflitos com taxistas e acidentes de trânsito.

Já não é de hoje que casos de abuso ou tentativas de abuso sexual são relatados por mulheres usuárias do aplicativo Uber. Tanto que as mulheres que costumam utilizar a plataforma regularmente passaram a adotar práticas para se defender. Por sua vez a Uber divulgou que pune motoristas envolvidos em situações como as vividas por Clara Averbuck.

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