Morreu no dia 14 de agosto o jornalista, escritor, produtor, ilustrador, pesquisador, roteirista de cinema e diretor de televisão Álvaro de Moya, aos 87 anos.

Nascido em São Paulo, Álvaro de Moya apaixonou-se por histórias em quadrinhos ainda criança, para desespero de seu pai, que queria ver o filho engenheiro ou advogado. Mas o menino respondia que "queria ser desenhista de quadrinhos". Criança ainda desenvolveu outra paixão, o cinema, assistindo uma sessão atrás da outra. Sua paixão pelas duas artes garantiria o seu futuro.

Moya era fã do programa radiofônico "Cinema em Casa", apresentado por Octávio Gabus Mendes, e ainda adolescente começou a se corresponder com o programa. Acabou ficando amigo dos produtores, e quando em setembro de 1950 chegou a televisão, foi convidado por um deles, Walter George Durst, para participar da inauguração da TV Tupi.

Moya ficou encarregado de desenhar os letreiros inaugurais que anunciavam as atrações. Ao contrário do que muitos pensam, ele não criou o indiozinho que estampava o logo da emissora, este é uma criação de Mário Fanucchi.

Após participar da estréia da PRF3-TV Tupi, foi para os Estados Unidos estudar televisão, fazendo um estágio na CBS. De volta ao Brasil, ingressou na TV Paulista, e depois foi para a TV Excelsior, onde tornou-se diretor artístico. Foi Álvaro de Moya o responsável pela implementação da grade de programação vertical e horizontal na tv brasileira. Foi ele quem conseguiu algo que a nossa televisão ainda não tinha, pontualidade.

Com o fim da Excelsiro, Moya foi o primeiro diretor da TV Bandeirantes, levada ao ar em 1968. Ele ficou mais de 30 horas na cabine de direção durante a estreia e as primeiras horas da emissora no ar. Também passou pela TV Cultura e foi professor de comunicação por mais de 20 anos na Universidade de São Paulo, a USP.

Álvaro de Moya e os Quadrinhos

Álvaro era uma sumidade no assunto quadrinhos.

Em 1951, ele e o amigo Jayme Cortez organizaram a Primeira Exposição Internacional de história em quadrinhos, que exibiu originais de grandes cartunistas da época, como Lee Falk e Will Eisner (de quem Moya era grande amigo).

Escritor, lançou vários livros sobre o tema, e deu palestas pelo mundo, em cidades como Roma, Buenos Aires, Nova York e Lucca. Chegou a trabalhar diretamente para Walt Disney, como representante de seus quadrinhos aqui no Brasil.

Seu primeiro livro Shazam! foi lançado em 1970, e o último Sketchbook Custom em 2016.

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